Inmet: previsão do tempo para terça (7) e quarta-feira (8)
Tempo firme predomina no Brasil entre terça e quarta; geada no Sul e baixa umidade são os principais destaques
A domesticação do trigo alterou a interação entre o pulgão Rhopalosiphum padi e o parasitoide Aphidius colemani. Pesquisadores compararam um genótipo silvestre de trigo coletado no Monte Carmelo, em Israel, com a cultivar domesticada ‘Galil’, usada na mesma região. Os resultados indicam efeitos distintos sobre a praga e sobre seu inimigo natural (DOI 10.3390/insects17070704).
A hipótese inicial previa maior desempenho do pulgão no trigo domesticado e menor parasitismo nesse material. O experimento em casa de vegetação mostrou um padrão mais complexo. Em baixa densidade, o trigo silvestre favoreceu aumento mais rápido da população de Rhopalosiphum padi. Após três dias, as plantas silvestres tinham média de 71,6 pulgões por planta. As plantas domesticadas tinham média de 56,1 pulgões por planta.
Essa tendência mudou após a introdução do parasitoide. Doze dias depois, as plantas domesticadas sustentavam populações maiores de pulgões. O estudo registrou cerca de 780 pulgões por planta no trigo domesticado e cerca de 420 pulgões por planta no trigo silvestre. A diferença ocorreu apesar do maior parasitismo nas plantas domesticadas.
O parasitoide Aphidius colemani teve melhor desempenho no trigo domesticado. O número de múmias formadas por planta dobrou nesse material em comparação ao trigo silvestre. O percentual de parasitismo também foi maior. Nas plantas domesticadas, 85,3 por cento das múmias originaram adultos do parasitoide. Nas plantas silvestres, esse índice chegou a 53,2 por cento.
O número de descendentes do parasitoide também mudou conforme o genótipo de trigo. As plantas domesticadas produziram 2,7 vezes mais vespas adultas. A diferença resultou, sobretudo, do maior número de machos emergidos nesse material. A produção total de fêmeas não diferiu entre os dois tipos de trigo. Mesmo assim, a proporção efetiva de fêmeas foi maior no trigo silvestre.
Os pesquisadores usaram sementes de Triticum turgidum subsp. dicoccoides como trigo silvestre. O material veio de uma população natural próxima a Beit-Oren, em Israel. A cultivar ‘Galil’, de Triticum aestivum, representou o trigo domesticado. Os dois materiais apresentam maturação tardia.
As plantas receberam seis adultos de Rhopalosiphum padi. Após três dias, uma fêmea de Aphidius colemani foi introduzida em cada gaiola durante duas horas. Os pesquisadores acompanharam a formação de múmias, a emergência de parasitoides e o crescimento das populações de pulgões. As plantas permaneceram em casa de vegetação com temperatura de 25 graus Celsius, com variação de três graus Celsius.
O estudo também mediu a biomassa das plantas. Ao fim do experimento, o trigo domesticado apresentou maior peso seco da parte aérea. A média chegou a 302 miligramas, contra 179 miligramas no trigo silvestre. A densidade final de pulgões por biomassa não diferiu de forma estatística entre os genótipos. Mesmo assim, a população total final de pulgões foi maior no trigo domesticado.
Os dados sugerem mecanismos diferentes de limitação populacional. No trigo silvestre, a competição entre pulgões pode ter limitado o crescimento da praga em alta densidade. No trigo domesticado, a atividade do parasitoide parece ter exercido maior pressão sobre a população.
Os pesquisadores destacam cautela na interpretação. O estudo avaliou apenas um genótipo silvestre e um genótipo domesticado. O número de repetições também foi reduzido. Ainda assim, os organismos usados vieram da mesma região geográfica, com histórico de associação. Essa condição aumenta a relevância ecológica das interações observadas.
A conclusão aponta para efeitos variáveis da domesticação sobre pragas e inimigos naturais. O trigo domesticado favoreceu maior população final de pulgões, mas também elevou o controle biológico por Aphidius colemani. Esse controle pode compensar parcialmente a infestação por Rhopalosiphum padi em cultivares de trigo.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura