Spodoptera frugiperda perde sensibilidade a inseticida na Argentina

População sobrevivente a milho com Vip3Aa20 exigiu dose 21 vezes maior de clorantraniliprole

06.03.2026 | 14:23 (UTC -3)
Revista Cultivar

População de Spodoptera frugiperda no norte de Santa Fe, na Argentina, perdeu sensibilidade ao clorantraniliprole, inseticida usado no controle da praga em milho e soja. O resultado surgiu em estudo de pesquisadores Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (Inta). Pesquisadores alertam para o manejo da espécie em um cenário de alta pressão de seleção.

O trabalho avaliou a resposta toxicológica de uma população de Spodoptera frugiperda sobrevivente à tecnologia Vip3Aa20. Os insetos originaram-se de Reconquista, em Santa Fe, em setembro de 2025. O estudo comparou essa população com materiais de Marcos Juárez, em Córdoba, e de La Cocha, em Tucumán.

Redução de sensibilidade

Os resultados mostraram forte redução de sensibilidade. A concentração letal média da população de Reconquista ficou 21 vezes acima da registrada em Marcos Juárez e 9 vezes acima da observada em La Cocha. Nas doses avaliadas, as populações de Córdoba e Tucumán alcançaram 100% de mortalidade. A de Reconquista atingiu no máximo 83%, mesmo em 80 ppm.

O achado ganha peso após a perda de eficácia observada nos últimos ciclos da proteína Bt Vip3Aa20, incorporada ao milho em 2011 para controle de Spodoptera frugiperda. Segundo os materiais, danos acima do esperado em algumas regiões ampliaram a dependência do controle químico. Nesse contexto, o clorantraniliprole ganhou espaço por sua ação sobre lepidópteros e pelo uso amplo também na soja, o que elevou a pressão de seleção ao longo do ano.

Momento requer ajuste

O estudo aponta que o momento pede ajuste imediato no manejo. A recomendação inclui encurtar o intervalo de monitoramento, sobretudo em períodos quentes, e adotar intervenções apenas quando a dinâmica populacional justificar a aplicação. O controle químico tende a render mais quando predominam larvas pequenas, entre L1 e L2, expostas na lâmina foliar, com 10% a 20% de plantas com dano grau 3 na escala de Davis.

Pesquisadores também destacam a necessidade de melhorar a tecnologia de aplicação. Tamanho de gota, cobertura, estabilidade da calda e redução de deriva influenciam o resultado. As diferenças de controle podem variar de 95% para 20%, conforme o manejo adotado. Outra orientação central envolve a rotação de modos de ação. A indicação pede evitar repetições dentro de janelas de cerca de 30 dias e descartar aplicações seguidas de ativos com o mesmo sítio de ação.

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