RS Safra 2025/26: ferrugem-asiática, ácaros e percevejos

Chuvas irregulares freiam perdas na soja; milho soma 64% de colheita

05.03.2026 | 17:53 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Emater/RS

A soja no Rio Grande do Sul segue em fase decisiva de rendimento, com 67% das lavouras em enchimento de grãos e 18% em floração. As chuvas do período ocorreram de forma irregular. Elas aliviaram parte do estresse hídrico, mas não repuseram umidade em parcelas expressivas, principalmente em neossolos. O cenário mantém problemas de enchimento e reduz o peso específico em áreas mais rasas. As informações são da Emater/RS.

O manejo fitossanitário ganhou intensidade. Produtores ampliaram aplicações de fungicidas contra o fungo causador da ferrugem-asiática, com foco no aumento de umidade noturna. Há registros de pressão de ácaros e tripes após um período com menos chuva. Em áreas em formação de grãos, técnicos apontam incremento populacional de percevejos.

O Programa Monitora Ferrugem RS reforçou o risco. O laudo de esporos no período de 18 a 23/02 indica necessidade de atenção, principalmente em regiões classificadas com risco médio, alto e muito alto. A recomendação inclui monitoramento mais intenso e manejo integrado, com uso de fungicidas. O documento alerta para mudança rápida do cenário mesmo em áreas de baixo risco.

As estimativas parciais de produtividade na soja mostram alta variabilidade no estado. Lavouras com melhor distribuição de chuva e manejo mantêm expectativa próxima ao potencial inicial. Áreas sob insuficiência hídrica prolongada ou calor na floração acumulam perdas e recuo do potencial produtivo.

Na região de Santa Rosa há perdas entre 15% e 50% com abortamento reprodutivo, morte de plantas em reboleiras e necessidade de replantio em áreas tardias.

Situação do milho

O milho alcança 64% de colheita no estado. Outros 17% entram em maturação. O restante permanece entre desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos. A estiagem entre meados de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro derrubou rendimento em parte das áreas, com menor capacidade de recuperação.

O principal destaque fitossanitário do milho envolve a cigarrinha-do-milho. Existe elevada incidência, com intensificação de monitoramento e controle químico. Há registro pontual de lagarta-do-cartucho em áreas específicas. Regiões como Pelotas e Soledade mantêm relato de cigarrinha em nível alto e necessidade de controle contínuo.

Situação do feijão

No feijão de 1ª safra, a semeadura terminou no Rio Grande do Sul. Lavouras remanescentes ficam em enchimento de grãos e maturação. Na região de Caxias do Sul, a falta de chuvas e as altas temperaturas reduziram estatura e número de vagens e grãos.

No feijão de 2ª safra, a área ficou abaixo do planejado por falta de umidade no plantio e por insatisfação com cotações. O aspecto sanitário segue adequado, mas o relatório aponta risco de aumento de pragas sob baixa precipitação, com menção a ácaros e tripes.

Situação do arroz

O arroz avança para o final do ciclo. A colheita evolui de forma gradual, com predominância de lavouras em granação e maturação. Há quadro produtivo considerado normal e expectativa de safra cheia em regiões orizícolas. A área cultivada soma 891.908 hectares, segundo o IRGA. A produtividade projetada aparece em 8.752 g/ha no documento. O monitoramento fitossanitário concentra atenção em percevejos e brusone, com intervenções quando necessárias.

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