Resistência do bicho-mineiro ameaça controle químico no café

Estudo com 36 populações aponta falhas acima de 50% para clorpirifós, deltametrina e profenofós

05.03.2026 | 16:17 (UTC -3)
Revista Cultivar

O bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) impõe risco de falha de controle para quatro inseticidas neurotóxicos em lavouras brasileiras. Pesquisadores mediram mortalidade abaixo de 80% em parte expressiva das populações expostas a doses de bula. O maior alerta recaiu sobre clorpirifós, deltametrina e profenofós. Mais da metade das populações testadas apresentou baixa eficácia com esses produtos em pesquisa recente.

O trabalho avaliou 36 populações de campo coletadas em áreas comerciais de café de nove unidades da federação. As coletas ocorreram em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Pernambuco. O ensaio expôs lagartas ao contato com discos de papel-filtro tratados com soluções inseticidas. A leitura de mortalidade ocorreu após 48 horas.

O risco de falha de controle atingiu 34,3% das populações para abamectina. O índice chegou a 62,9% para clorpirifós. Deltametrina e profenofós registraram 51,4% cada. O critério adotou mortalidade mínima de 80% para indicar controle em nível de campo.

Os autores também estimaram níveis de resistência por razão de resistência mediana (RR50). Abamectina variou de 175 a 26.478 vezes. Clorpirifós variou de 44,2 a 1.816 vezes. Deltametrina variou de 45,2 a 27.603 vezes. Profenofós variou de 11,1 a 33,2 vezes. O estudo classificou resistência como baixa abaixo de 100 vezes. A faixa moderada ficou entre 100 e 500. A faixa alta ficou entre 501 e 5.000. A faixa muito alta superou 5.000.

Algumas populações concentraram os maiores extremos. Santa Teresa registrou RR50 de 27.603 para deltametrina. Garanhuns registrou RR50 de 26.478 para abamectina. Rio Paranaíba II registrou RR50 de 1.816 para clorpirifós.

O estudo investigou atividade enzimática em seis populações selecionadas por perfis de pressão de seleção. A acetilcolinesterase (AChE) apresentou menor atividade em Rio Paranaíba II. A glutationa S-transferase (GST) atingiu maior atividade em Rio Paranaíba I, seguida por Carmo do Paranaíba. A fosfotriesterase (PhTE) permaneceu baixa e não variou entre populações no teste estatístico.

O trabalho foi desenvolvido por Daianna P. Costa, Carlos G. da Cruz, Ryan F. S. e Silva, Liliane E. Visôtto, Jesús E. Gomez, Marisol Giraldo-Jaramillo e Flávio L. Fernandes.

Mais informações em doi.org/10.1002/ps.70677

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