Sinais químicos ampliam opções para controle biológico

Voláteis de plantas, feromônios e manejo do habitat podem reforçar a ação de inimigos naturais

04.08.2026 | 10:56 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
doi 10.3390/insects17080808
doi 10.3390/insects17080808

O uso combinado de sinais químicos de plantas e insetos pode ampliar a eficiência do controle biológico em lavouras, pomares, hortaliças e cultivos protegidos. Estudo de pesquisadores chineses reúne resultados sobre compostos voláteis, feromônios, cairomônios, sistemas push-pull, manejo do habitat e melhoramento de plantas. Os cientistas alertam, porém, para uma diferença central: atrair predadores e parasitoides não garante redução da praga, menor dano ou aumento de produtividade (doi 10.3390/insects17080808).

Plantas atacadas por insetos herbívoros liberam compostos orgânicos voláteis. Esse grupo inclui os voláteis induzidos por herbivoria, conhecidos pela sigla HIPVs. Terpenoides, voláteis de folhas verdes e salicilato de metila integram esse conjunto. Predadores e parasitoides usam esses sinais para localizar plantas infestadas.

Aplicação agrícola

A aplicação agrícola desses compostos pode favorecer o controle biológico conservativo. O salicilato de metila figura entre os atrativos mais estudados. O jasmonato de metila também pode induzir a emissão de voláteis defensivos pelas plantas. O efeito varia conforme o composto, a dose, a formulação, a taxa de liberação, a cultura e o ambiente.

A integração de sinais de longa e curta distância representa uma das frentes de pesquisa. Os HIPVs podem orientar parasitoides até a área infestada. Hidrocarbonetos cuticulares deixados pelos insetos sobre as folhas ajudam na localização próxima do hospedeiro. Fêmeas de Trissolcus japonicus, por exemplo, intensificaram o forrageamento sobre superfícies com traços químicos associados a Halyomorpha halys.

Foto: Oregon State University - CC BY-SA 2.0
Foto: Oregon State University - CC BY-SA 2.0

Misturas com feromônios

Misturas com feromônios também apresentaram resultados. Em trigo, a combinação do feromônio de alarme (E)-beta-farneseno com salicilato de metila elevou o parasitismo e reduziu a presença do pulgão Sitobion miscanthi. Em tomate, o uso conjunto de salicilato de metila e feromônio de agregação do percevejo predador Podisus maculiventris aumentou a permanência do inimigo natural e reduziu a infestação de Manduca sexta.

A seleção das misturas exige cautela. Inimigos naturais podem responder a proporções específicas entre compostos. A adição indiscriminada de voláteis pode mascarar sinais, reduzir a atração ou provocar repelência. Alguns atrativos também recrutam a própria praga. Ensaios com pimentão mostraram maior captura de tripes em armadilhas com salicilato de metila. O resultado reforça a necessidade de avaliar o balanço entre recrutamento de inimigos naturais e risco de maior colonização da cultura.

A estratégia de “atrair e recompensar” associa dispensadores de voláteis a recursos alimentares e abrigo. Faixas floridas, néctar, pólen, presas alternativas e locais de oviposição podem prolongar a permanência de predadores e parasitoides. Estudos com trigo-sarraceno, Fagopyrum esculentum, registraram aumento de parasitoides em brássicas, milho-doce, videira e brócolis. Em pomares de maçã, a combinação de salicilato de metila com Calendula officinalis aumentou a permanência de Propylea japonica e favoreceu a supressão de Aphis citricola.

Ecologia do agente

O tipo de recurso precisa acompanhar a ecologia do agente de controle. Néctar e pólen beneficiam parasitoides adultos e predadores onívoros. Predadores estritamente carnívoros dependem mais de presas alternativas, abrigo e micro-habitats adequados. A gutação também pode fornecer alimento. Em mirtilo, gotas permaneceram disponíveis ao longo do dia e durante a estação de cultivo. Resíduos de pesticidas ou metabólitos tóxicos, contudo, podem transformar esse recurso em risco.

Sistemas push-pull formam outra aplicação. A técnica usa estímulos repelentes para afastar a praga da cultura principal e estímulos atrativos para concentrá-la em plantas-armadilha ou armadilhas iscadas. Em milho, o capim-elefante, Pennisetum purpureum, atua no componente de atração. O desmódio, Desmodium uncinatum, exerce o efeito repelente sobre brocas como Eldana saccharina, Chilo partellus, Sesamia calamistis e Busseola fusca. Compostos liberados pelas plantas companheiras também podem atrair parasitoides.

O ambiente modifica a emissão e a estabilidade dos sinais. Seca, aumento de temperatura, dióxido de carbono elevado, ozônio, deficiência de nutrientes e poluição atmosférica podem alterar a composição dos voláteis. O ozônio pode degradar terpenoides usados por parasitoides. O déficit hídrico também pode reduzir a atratividade de plantas infestadas.

O estudo propõe quatro prioridades: aperfeiçoar a indução das defesas vegetais; combinar HIPVs com feromônios e outros sinais de inimigos naturais; integrar manejo do habitat com recursos alimentares; e incorporar características defensivas por melhoramento ou engenharia genética. Os pesquisadores recomendam avaliações em campo com uma sequência completa de indicadores: chegada e permanência dos inimigos naturais, predação ou parasitismo, densidade da praga, dano, produtividade, uso de pesticidas e retorno econômico.

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