IAC lança cultivar de mandioca de indústria 25% mais produtiva

Com ciclo de 10 a 13 meses entre o plantio e a colheita, a IAC 139 também tem colheita precoce

03.08.2026 | 16:21 (UTC -3)
Mônica Galdino

O Instituto Agronômico (IAC) lança nova cultivar de mandioca de indústria com produtividade média 25% maior em relação às variedades atualmente disponíveis. A IAC 139 se destaca também pelo teor de 41% de matéria seca nas raízes, composto por 80% a 85% de amido e 1% a 2% de fibras. Essas características garantem maior rendimento industrial, ampliando a eficiência na produção de farinha, polvilho e fécula. Seu nome é uma homenagem aos 139 anos do IAC, celebrados em junho deste ano.

“Essa cultivar possui alto teor de matéria seca e raízes de casca e polpas claras, que são um grande atrativo para as indústrias. Para atender o setor, nossa pesquisa considerou essas características, além de rendimento e resistência à bacteriose, a principal doença da cultura da mandioca”, afirma José Carlos Feltran, pesquisador do IAC, vinculado à Apta (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Com ciclo de 10 a 13 meses entre o plantio e a colheita, outro aspecto positivo da IAC 139 é a colheita precoce.

A nova cultivar é adaptada às regiões produtoras de mandioca de indústria dos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Será mais uma opção para os campos paulistas, onde predominam as cultivares IAC de mandioca industrial. São Paulo reúne cerca de 70 mil hectares de mandioca de indústria, concentrados principalmente na região do Médio Paranapanema, próximo à divisa com o Paraná. Os demais estados produtores dessa raiz para uso industrial são o Pará, líder nacional, Bahia, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul. Anualmente são produzidas cerca de 20 milhões de toneladas, em área de um milhão de hectares, aproximadamente.

Segundo Feltran, no Brasil, são plantadas diversas cultivares de mandioca e cada região tem suas cultivares tradicionais. No Centro-sul predominam as cultivares IAC 14, IAC 90, IAC 118-95, IPR Paraguainha, IPR B36 e BRS CS01. “O Brasil é autossuficiente na produção de mandioca de indústria, farinha e fécula”, diz.

O desenvolvimento da nova cultivar

A pesquisa que resultou na IAC 139 teve início em 2012. Ela foi obtida por meio de cruzamento de campo entre as cultivares IAC 14 e Fécula Branca. Dentre os milhares de clones gerados foi selecionado o IAC 19-12, por reunir todas as características positivas avaliadas ao longo de muitos anos de plantio em diversos locais. Batizado de IAC 139, o novo material foi registrado no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura e Pecuária (RNC/Mapa).

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