Período de cobertura influencia biomassa e rendimento agrícola

Maior período de cultivo aumenta biomassa, melhora atributos do solo e favorece soja e feijão

04.08.2026 | 08:30 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Syngenta
Foto: Syngenta

O cultivo irrigado de plantas de cobertura por até 105 dias aumentou a produção de biomassa e a produtividade de soja e feijão-comum no Cerrado. O manejo também favoreceu atributos químicos do solo após três anos. Entre os tratamentos, o mix Salud apresentou o melhor resultado para a soja e ampliou a disponibilidade de nutrientes.

O estudo avaliou nove coberturas e quatro períodos de cultivo em Santo Antônio de Goiás, Goiás (doi 10.1002/cft2.70151). Os pesquisadores conduziram o experimento nas safras de 2022 a 2025, sob irrigação por pivô central e sistema plantio direto. A sequência anual incluiu plantas de cobertura, feijão-comum e soja.

Períodos avaliados

Os períodos avaliados alcançaram 60, 75, 90 e 105 dias. Para obter essas durações, a equipe semeou as coberturas aos 60, 45, 30 e 15 dias após a colheita da soja. Todas receberam dessecação na mesma data, 15 dias antes da semeadura do feijão.

A biomassa cresceu de forma linear com o aumento do período no campo. As coberturas produziram 1.178 quilogramas por hectare aos 60 dias e 6.309 quilogramas por hectare aos 105 dias. O resultado representa aumento superior a cinco vezes entre os dois períodos.

Maior produção

O milheto, Pennisetum glaucum, registrou a maior produção média de biomassa, com 5.563 quilogramas por hectare. O mix forrageiro atingiu 5.259 quilogramas por hectare. Essa mistura reuniu Urochloa ruziziensis, Eleusine coracana, Pennisetum glaucum e Sorghum bicolor.

A vegetação espontânea apresentou a menor média, com 3.134 quilogramas por hectare. O resultado reforça a importância da escolha de espécies com capacidade de rápido crescimento e elevada produção de palhada.

O efeito do período variou entre as coberturas. Urochloa ruziziensis e o mix Salud apresentaram forte ganho de biomassa entre 60 e 105 dias. Aveia-preta, Avena strigosa, e trigo-sarraceno, Fagopyrum esculentum, responderam com menor intensidade. Os dados indicam a necessidade de alinhar a espécie ao tempo disponível entre a colheita da soja e a implantação do feijão.

Espécies reunidas

O mix Salud reuniu espécies de gramíneas, leguminosas e brássicas. A composição incluiu Vigna radiata, Pennisetum glaucum, Urochloa ruziziensis, Eleusine coracana, Raphanus sativus, Crotalaria ochroleuca e Crambe koktebelica.

Após três anos, esse consórcio apresentou os maiores níveis de cálcio, magnésio, fósforo, enxofre e matéria orgânica do solo em comparação com a maior parte das espécies isoladas. O tratamento também alcançou a maior capacidade de troca de cátions.

O período de cultivo influenciou potássio, enxofre, ferro, manganês, zinco, matéria orgânica, capacidade de troca de cátions, pH e saturação por bases. A análise do solo ocorreu uma única vez, ao final do terceiro ano. Por isso, os resultados representam efeitos acumulados e não permitem acompanhar mudanças anuais.

Resposta da soja

A soja respondeu à espécie utilizada como cobertura. O mix Salud proporcionou produtividade de 4.973 quilogramas por hectare. O milheto alcançou 4.965 quilogramas por hectare. Urochloa ruziziensis produziu 4.897 quilogramas por hectare.

O trigo-sarraceno apresentou a menor produtividade de soja, com 4.574 quilogramas por hectare. A vegetação espontânea atingiu 4.781 quilogramas por hectare.

O período mais longo também favoreceu a oleaginosa. A produtividade passou de 4.955 quilogramas por hectare, após 60 dias de cobertura, para 5.303 quilogramas por hectare, após 105 dias. O ganho chegou a 348 quilogramas por hectare.

Resposta do feijão

O feijão-comum, Phaseolus vulgaris, não apresentou resposta significativa às espécies. O tempo de permanência das coberturas, porém, influenciou o rendimento. A produtividade aumentou de 2.064 quilogramas por hectare, aos 60 dias, para 2.306 quilogramas por hectare, aos 105 dias. O período de 90 dias registrou 2.382 quilogramas por hectare.

Os pesquisadores associam a diferença entre soja e feijão ao momento de liberação dos nutrientes. O feijão entrou logo após a dessecação. A soja recebeu a semeadura depois da colheita do feijão, com maior parte da biomassa já em decomposição. Esse intervalo pode ter ampliado o aproveitamento dos nutrientes pela oleaginosa.

O trabalho não avaliou custos nem retorno financeiro. Os resultados demonstram ganhos agronômicos com a ampliação do período de cobertura irrigada. O manejo por até 105 dias elevou a entrada de palhada, favoreceu atributos do solo e aumentou o desempenho das culturas comerciais.

A pesquisa foi desenvolvida pelos cientistas Adriano S. Nascente, Izabely V. L. Ferreira, Rafael B. Oliveira, Dennis R. C. Cruz, Natasha O. C. Monteiro, Victorya G. M. Souza, Edmilson J. M. Caetano, Aline C. M. Façanha e Evandro I. Costa.

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