Oferta elevada mantém pressão sobre preços do milho

StoneX destaca safra volumosa no Brasil e menor competitividade das exportações

07.07.2026 | 15:57 (UTC -3)
José Lucas Morais, edição Revista Cultivar

A estimativa de julho da StoneX reforça um cenário de ampla oferta de milho no Brasil. A combinação de uma safra de verão robusta com uma safrinha ainda volumosa, apesar de perdas pontuais em estados como Goiás e Minas Gerais, mantém o mercado bem abastecido no curto prazo e ajuda a explicar a pressão observada sobre os preços na B3 nas últimas semanas.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX, embora a demanda doméstica siga forte e em expansão, a baixa competitividade do milho brasileiro no mercado internacional tem contribuído para reter maior volume do cereal no mercado interno.

“Em 2025, a produção recorde dos Estados Unidos reforçou a competitividade do país nas exportações globais, e em 2026 a Argentina também colhe uma safra histórica, ganhando espaço no comércio internacional em meio à redução das tarifas de exportação. A valorização do real ao longo dos últimos 18 meses complementa esse movimento, reduzindo a atratividade do milho brasileiro no exterior”, avalia. 

Para o segundo semestre, no entanto, o foco se volta para fatores que podem alterar esse quadro. No mercado internacional, o desempenho da safra norte-americana seguirá determinando o equilíbrio global — uma nova safra cheia nos Estados Unidos tende a manter pressão sobre Chicago e limitar a recuperação dos preços domésticos, embora isso ainda não possa ser garantido no atual estágio de desenvolvimento da lavoura americana.

No Brasil, além da volatilidade cambial, que pode se intensificar com a aproximação do ciclo eleitoral, cresce a atenção sobre a safra 2026/27. Após uma temporada excepcional, dificilmente a produção de verão repetirá o mesmo desempenho: custos mais elevados de fertilizantes podem limitar a área plantada, enquanto um eventual padrão de El Niño aumenta o risco de atrasos na semeadura da soja e, consequentemente, de plantio fora da janela ideal para o milho safrinha.

Diante desse cenário, Raphael destaca que, embora o balanço de milho brasileiro ainda indique conforto no curto prazo, os riscos para o médio prazo parecem mais inclinados para uma recuperação dos preços do que para novas quedas.

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