Mercado Agrícola - 7.jul.2026
Soja ganha força com clima nos EUA e demanda chinesa
Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) reuniram-se nesta terça-feira (7/7) com a equipe econômica do governo para ouvir as propostas relacionadas ao endividamento rural. O encontro terminou sem acordo, mas a bancada sinalizou que não pretende abrir mão dos pilares do Projeto de Lei 5.122/2023.
“Nós entendemos que quem teve perdas climáticas precisa, de fato, ter o auxílio, falando especificamente do pessoal do Rio Grande do Sul, que é super emergencial, que a gente precisa solucionar. Mas o cerne do texto aprovado no Senado foi justamente o enquadramento daqueles que tiveram perda de renda devido aos problemas do endividamento rural. Então, nós vamos insistir com isso e não vamos abrir, absolutamente, mão disso”, destacou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (na foto).
A reunião ocorreu em meio à reta final da tramitação do projeto. O texto tem origem na Câmara dos Deputados, onde foi aprovado no ano passado. Em junho, passou pelo Senado Federal e retornou à Câmara por ter sofrido alterações. Agora, os deputados precisam decidir se aprovam ou não as mudanças feitas pelos senadores. Não há margem para novas modificações.
De acordo com Lupion, o governo apresentou a ideia de uma Medida Provisória (MP) como alternativa ao projeto de lei. Segundo ele, há concordância em “boa parte” das sugestões, já que elas atendem a pontos da proposta legislativa. No entanto, questões consideradas cruciais ainda precisam ser discutidas, como o montante das operações, os critérios de enquadramento dos produtores e as condições dos juros e prazos.
A proposição aprovada no Senado garante:
Já a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda nesta terça traz pontos diferentes:
A sugestão apresentada pelo governo mantém a abrangência prevista no projeto de lei, ou seja, a ocorrência dos eventos problemáticos deve ser em safras no período entre 2019 e 2025. A janela temporal das operações inadimplentes também foi preservada, contemplando dívidas não pagas entre 1º de janeiro de 2024 a maio de 2026.
Quanto ao uso dos fundos constitucionais, Lupion afirmou que a utilização desses recursos não foi contestada pelo governo. Sobre a criação de um fundo garantidor, há indicativo positivo para que a medida também tenha apoio do Executivo.
“Nós falamos da questão da composição do fundo garantidor, que tem um custo para o governo. Falamos sobre a questão do impacto primário da equalização dos juros, mas, inclusive, o governo concorda com a necessidade da composição desse fundo garantidor para diminuir o tamanho do impacto. E, em momento algum, houve questionamento sobre os fundos constitucionais”, comentou o presidente da FPA.
Ainda nesta terça-feira (7/7), equipes técnicas que ajudaram a formatar o projeto de lei vão analisar as sugestões apresentadas pelo governo. A ideia é entender até que ponto é possível construir uma convergência com o texto que está no Congresso Nacional.
“Vamos trabalhar para ver onde nós conseguimos chegar nesse texto, para ver o limite e os critérios de enquadramento, os juros, a questão de quanto vai custar essa equalização e também a possibilidade de atender o maior número possível de produtores”, disse Lupion. Mesmo assim, o presidente da bancada enfatizou que a base da discussão é o proposto no PL 5.122/23. “Nós não aceitamos o fim do projeto do Senado”, afirmou.
Caso não haja acordo, a intenção da bancada será seguir com o texto na forma aprovada pelos senadores. “Se não houver acordo, aí nós temos os instrumentos de pressão”, indicou Lupion.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura