Inmet: previsão do tempo para terça (7) e quarta-feira (8)
Tempo firme predomina no Brasil entre terça e quarta; geada no Sul e baixa umidade são os principais destaques
O mercado de soja em Chicago ganhou sustentação com a seca extrema na Europa, a retomada das compras pela China e o avanço do ciclo da safra norte-americana. A soja dos Estados Unidos entrou no período de maior necessidade de clima adequado. A previsão de calor entre 36 graus Celsius e 40 graus Celsius na próxima semana elevou a atenção sobre possível abortamento de flores.
Segundo dados do USDA citados na análise, 34% das áreas de soja dos Estados Unidos entraram em florescimento. Na semana anterior, o índice alcançava 19%. No mesmo período do ano passado, chegava a 30%. A média histórica soma 28%. O avanço reflete o plantio mais cedo da safra.
Em Illinois, maior produtor norte-americano de soja, 33% das lavouras chegaram ao florescimento. A média local alcança 29%. Em Iowa, o índice atingiu 37%, ante média de 31%. A formação inicial de vagens chegou a 9% nos Estados Unidos. O índice superou os 7% do ano passado e os 6% da média. Em Illinois, 8% das lavouras entraram nessa fase, ante média de 3%. Em Iowa, o índice ficou em 3%, ante média de 5%.
A qualidade das lavouras mostrou leve recuo. O USDA indicou 64% das áreas em condição boa ou excelente. Na semana anterior, o índice somava 65%. No ano passado, alcançava 66%. O clima passou a ganhar peso na formação de preços.
As posições futuras de soja voltaram à faixa de 12 dólares por bushel em Chicago. O movimento abriu janela para novos fechamentos, sobretudo em operações de garantia futura. No Brasil, o mercado de porto melhorou. O mercado de balcão também registrou níveis mais favoráveis ao produtor. As operações de barter ganharam relevância como alternativa de financiamento.
A comercialização da safra atual de soja no Brasil alcançou 71%. No mesmo período do ano passado, somava 71,5%. A média chega a 72%. O atraso aparece pequeno. Ainda restam 52,2 milhões de toneladas nas mãos dos produtores. No ano passado, o volume disponível chegava a 48,8 milhões de toneladas.
Na safra nova 2026/27, a comercialização chegou a 23%. O avanço ocorreu principalmente via barter. No ano passado, o índice somava 26,5%. A média histórica alcança 27,5%. A comercialização de insumos ainda mostra atraso. A dificuldade de acesso aos recursos oficiais aumentou a procura por operações de troca.
As exportações brasileiras seguem aceleradas. Em três dias úteis de julho, o complexo soja internalizou mais de 852 milhões de dólares. A soja em grão superou 1,5 milhão de tonelada embarcada no período. No acumulado do ano, os embarques de soja em grão chegaram a 71,1 milhões de toneladas, ante 68 milhões de toneladas no ano anterior. O farelo somou 13,8 milhões de toneladas, ante 12,3 milhões de toneladas. O complexo soja alcançou 86,2 milhões de toneladas entre janeiro e o início de julho, contra 81,1 milhões de toneladas no ano passado.
No milho, Chicago também registrou reação. As cotações de julho ganharam suporte acima de 4,30 dólares por bushel. As posições de julho de 2027 voltaram à faixa de 4,80 dólares por bushel. O mercado acompanha a possibilidade de calor extremo nos Estados Unidos.
O USDA indicou 16% do milho norte-americano em florescimento. Na semana anterior, o índice chegava a 9%. No ano passado, somava 17%. A média histórica alcança 14%. Em Iowa, maior produtor, 8% das lavouras entraram em florescimento, ante média de 10%. Em Illinois, o índice chegou a 17%, ante média de 19%. A formação de espigas alcançou 3%, mesmo patamar do ano passado e acima da média de 2%.
A qualidade do milho ficou estável na semana. O USDA apontou 67% das lavouras em condição boa ou excelente. No ano passado, o índice chegava a 74%. A safra também conta com 1,5 milhão de hectare a menos em relação ao ciclo anterior. A análise aponta possível queda superior a 20 milhões de toneladas na produção norte-americana. O quadro pode ganhar impacto adicional com perdas na safra de milho da França, grande produtor europeu.
No Brasil, os embarques de milho somaram 120,3 mil toneladas nos três primeiros dias úteis de julho. No acumulado desde janeiro, chegaram a 8,1 milhões de toneladas, ante 6,6 milhões de toneladas no ano passado. No mercado interno, a colheita segue atrasada pela alta umidade dos grãos. Em Mato Grosso, a dificuldade para conseguir caminhões também limita o transporte das lavouras aos armazéns. O ritmo figura entre os mais lentos dos últimos dez anos.
Os portos reagiram com a alta em Chicago. As indicações variaram de 63 reais a 65 reais por saca para posições a partir de agosto. Mesmo assim, não houve corrida de vendas. Os produtores aguardam preços melhores. A demanda interna segue forte, com destaque para ração e etanol.
No sorgo, o Brasil ganhou relevância e pode alcançar a segunda posição mundial na safra atual. A colheita brasileira avança com produtividades consideradas boas na análise. Nos Estados Unidos, principal produtor e exportador mundial, o plantio chegou a 97%. A média histórica soma 96%.
No Kansas, maior produtor norte-americano, 94% da área foi plantada, mesmo percentual da média. No Texas, segundo maior produtor, o plantio chegou a 100%, ante média de 96%. A formação de panículas alcançou 25%, acima da média de 22%. A qualidade, porém, caiu. As lavouras em condição boa ou excelente somaram 50%, ante 52% na semana anterior e 67% no ano passado. A análise indica produção inferior a 9 milhões de toneladas nos Estados Unidos, após 11,1 milhões de toneladas no ano passado.
O trigo também recebeu suporte em Chicago. O mercado acompanha problemas produtivos na Europa e na Rússia. A análise aponta menor potencial exportável russo após inverno longo e perda de potencial produtivo. As posições de julho mantiveram suporte acima de 6 dólares por bushel. Os contratos de 2027 buscaram níveis próximos de 6,50 dólares por bushel.
No Brasil, a área de trigo caiu. Produtores indicam redução entre 20% e 35%. A safra pode ficar próxima de 6 milhões de toneladas, ante quase 8 milhões de toneladas no ciclo anterior. Com isso, o país deve importar mais de 7 milhões de toneladas na temporada 2026/2027 para atender a demanda interna.
Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno chegou a 59%, ante média de 51%. A lavoura amadureceu mais cedo. A qualidade figura entre as piores em 20 anos, com 26% em condição boa ou excelente. No ano passado, o índice alcançava 48%.
As importações brasileiras de trigo somaram 92,6 mil toneladas nos três primeiros dias úteis de julho. No acumulado do ano, chegaram a 3,4 milhões de toneladas, ante 3,3 milhões de toneladas no ano passado. No mercado interno, os negócios seguem lentos. Produtores relatam pouca liquidez. Moinhos compram volumes pontuais. No Rio Grande do Sul, as indicações giram em torno de 1.320 reais a 1.330 reais por tonelada. No Paraná, variam de 1.360 reais a 1.370 reais por tonelada.
No arroz, as indústrias do Rio Grande do Sul voltaram às compras no início de julho, após menor atividade nas semanas anteriores. Na Fronteira Oeste, a indústria buscou arroz com 60% de grãos inteiros ou mais, com pagamento ao redor de 60 reais por saca. O arroz comercial com 58% de inteiros teve indicação nominal perto de 59 reais. O parboilizado ficou entre 55 reais e 56 reais na região. Nas demais regiões, os preços chegaram a 3 reais a 6 reais acima desses patamares.
No varejo, o arroz iniciou promoções com pacotes de cinco quilogramas a partir de 12,98 reais. Na maior parte dos estados, as ofertas variaram de 13,98 reais a 17,98 reais para arroz comercial. Produtos nobres em promoção ficaram entre 22,98 reais e 25,26 reais. Nas gôndolas regulares, marcas nobres variaram de 27 reais a 32 reais por pacote de cinco quilogramas. Na Ásia, o mercado teve semana de calmaria, influenciado pela valorização do dólar ante a moeda da Tailândia.
No feijão, o fechamento das colheitas reduziu a disponibilidade nos campos. O feijão carioca nobre, nota 9 ou superior, manteve pouca oferta e cotações acima de 400 reais por saca. O mercado deve retomar compras para reposição do varejo. O feijão comercial nota 8 a 8,5 variou de 290 reais a 350 reais por saca. O feijão nota 7 a 7,5 teve indicações de 210 reais a 220 reais por saca, com queda associada à maior oferta de produto de menor qualidade, afetado por geadas e chuvas.
O feijão preto trabalhou com estabilidade e leve viés de alta. O fim das colheitas abre um período de vazio de oferta, com retorno mais consistente apenas no fim do ano. O clima em Santa Catarina e no Paraná terá peso sobre os plantios de fim de agosto e setembro. As indicações variaram de 190 reais a 210 reais por saca. A primeira safra de feijão pode registrar crescimento de área, diante de cotações mais favoráveis em relação a milho e soja.
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