Dólar, clima e geopolítica devem ditar o rumo das commodities

Relatório lançado pela StoneX nesta terça-feira (7) reúne projeções para o segundo semestre

07.07.2026 | 16:43 (UTC -3)
José Lucas Morais

Os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, a manutenção de condições financeiras restritivas nas principais economias do mundo e a possibilidade de um evento de El Niño forte e historicamente relevante devem estar entre os principais fatores a influenciar os mercados globais de commodities no terceiro trimestre de 2026. Em um ambiente marcado por volatilidade geopolítica, juros elevados, fortalecimento do dólar e crescente atenção às condições climáticas, empresas e participantes das cadeias de commodities precisam acompanhar de perto os riscos e oportunidades que podem afetar preços, margens e fluxos de comércio nos próximos meses.

Para analisar esse cenário e suas implicações para diferentes mercados, a StoneX lança nesta terça-feira (7) a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities. A publicação reúne análises para os segmentos de grãos e oleaginosas, fertilizantes, energia, soft commodities, metais e câmbio.

Elaborado pelo time de Inteligência de Mercado da StoneX no Brasil, com a colaboração de especialistas da empresa em diferentes regiões do mundo, o estudo apresenta os principais vetores que devem orientar a dinâmica das commodities ao longo do segundo semestre.

Objetivo do estudo e abrangência das análises

“Entramos no terceiro trimestre em um ambiente de elevada complexidade para os mercados globais. Geopolítica, política monetária e clima seguem exercendo influência simultânea sobre os preços das commodities, exigindo atenção redobrada de empresas e participantes das cadeias produtivas. Nosso relatório busca justamente traduzir esses movimentos e identificar os fatores que podem gerar riscos ou oportunidades nos próximos meses”, afirma Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX.

No mercado de grãos e oleaginosas, a StoneX destaca que, apesar do abastecimento confortável no curto prazo, os preços devem continuar respondendo ao desenvolvimento da safra norte-americana. O início do verão com temperaturas elevadas nos Estados Unidos e em importantes regiões produtoras da Europa amplia os riscos para a produtividade das lavouras e mantém a atenção dos participantes do mercado voltada para o clima. Além disso, os custos ainda elevados de fertilizantes e energia podem influenciar decisões de plantio para a próxima safra no Hemisfério Sul.

Em fertilizantes, a retomada das exportações chinesas de ureia e a redução das tensões no Oriente Médio tendem a oferecer condições mais favoráveis para os compradores. Ainda assim, a StoneX observa que a normalização deverá ocorrer de forma desigual entre os segmentos. Enquanto os nitrogenados podem continuar encontrando suporte com a demanda de grandes consumidores, como Brasil e Índia, os fosfatados seguem pressionados por restrições na oferta de enxofre e pela manutenção de custos elevados de produção.

No complexo de energia, a expectativa é de que os efeitos da guerra envolvendo o Irã continuem influenciando o mercado ao longo dos próximos meses. Apesar da recente acomodação dos preços do petróleo, a recuperação da oferta global ocorre de forma gradual, enquanto a demanda permanece sustentada pelo reaquecimento do consumo asiático e pela elevada atividade das refinarias norte-americanas. Esse cenário pode manter o equilíbrio entre oferta e demanda relativamente apertado durante o segundo semestre.

Entre as soft commodities, a StoneX projeta um ambiente de comportamentos distintos. No algodão, a combinação entre menor produção global e maior dinamismo da demanda asiática favorece uma sustentação dos preços. No café, a entrada da safra recorde brasileira deve ampliar a disponibilidade do produto e exercer pressão sobre as cotações, embora estoques reduzidos, atrasos na colheita e riscos climáticos sigam oferecendo suporte ao mercado. Já o açúcar continua influenciado por uma oferta confortável no Centro-Sul brasileiro, enquanto o cacau começa a apresentar sinais de maior equilíbrio, impulsionado pela recuperação da produção na África Ocidental, ainda que a volatilidade permaneça elevada.

Nos metais preciosos, ouro e prata seguem sensíveis ao equilíbrio entre os riscos geopolíticos e a postura mais rígida do Federal Reserve. Para os metais industriais, a demanda associada à inteligência artificial, à transição energética e à formação de estoques estratégicos continua fornecendo sustentação aos preços, embora juros elevados, fortalecimento do dólar e sinais mistos da atividade industrial global limitem movimentos mais expressivos de alta.

Câmbio: diferencial de juros sustenta dólar forte

No mercado de câmbio, a StoneX avalia que o comportamento do USD/BRL deverá continuar influenciado pela convergência entre as políticas monetárias dos Estados Unidos e do Brasil como um fator altista para a moeda americana. A manutenção — ou eventual elevação — dos juros norte-americanos, combinada à expectativa de novos cortes na taxa Selic, tende a favorecer a valorização da moeda americana frente ao real nos próximos meses.

“O fortalecimento do dólar e a perspectiva climática para a safra 2026/27 são dois temas que merecem atenção especial neste trimestre. Ambos têm potencial para gerar impactos relevantes sobre custos, margens e formação de preços em diferentes cadeias de commodities”, acrescenta Andrioli.

Publicado desde 2015, o Trimestral de Perspectivas para Commodities é elaborada pela equipe de Inteligência de Mercado da StoneX no Brasil, com colaboração de especialistas da empresa no Reino Unido, Paraguai, Argentina, China e Estados Unidos. O relatório oferece uma visão integrada sobre os fatores que podem influenciar os mercados agrícolas, de energia, metais e moedas emergentes no curto prazo, apoiando empresas e participantes do mercado na tomada de decisões estratégicas.

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