Embrapa lança cultivar de uva branca para a Região Sul

Nova cultivar tem potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare e manejo facilitado

18.02.2026 | 14:52 (UTC -3)
Viviane Zanella, edição Revista Cultivar
Foto: Patrícia Ritschel
Foto: Patrícia Ritschel

A Embrapa Uva e Vinho apresenta nesta quinta-feira (19/2), em dia de campo realizado em Alto Feliz (RS), a nova cultivar de uva branca sem sementes BRS Pérola. Resultado de mais de 18 anos de pesquisa, a variedade surge como alternativa para a produção de uvas finas de mesa na Região Sul, com potencial de alta produtividade e manejo facilitado.

Ensaios conduzidos na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Epagri, indicam potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare sob cultivo com cobertura plástica. A nova opção amplia o portfólio de uvas para consumo in natura na região, ao lado das cultivares BRS Vitória, BRS Isis e BRS Melodia.

Demanda crescente por uvas de mesa

Foto: Viviane Zanella
Foto: Viviane Zanella

De acordo com o pesquisador João Maia, da Embrapa Uva e Vinho, há espaço para expansão da produção de uvas de mesa do tipo fino no Sul do País, tanto para comercialização nas propriedades quanto em pequenos estabelecimentos. Segundo ele, o avanço do turismo rural e do enoturismo tem estimulado investimentos no sistema “colha e pague”, agregando valor com a venda direta ao consumidor.

Além disso, produtores buscam diversificar o portfólio para atender diferentes perfis de consumidores. As bagas da BRS Pérola apresentam características semelhantes às da tradicional Thompson Seedless — referência no mercado de uva branca sem sementes no Vale do São Francisco — como formato alongado, textura crocante e sabor neutro, com equilíbrio entre açúcares e acidez.

A pesquisadora Patrícia Ritschel (na foto), uma das coordenadoras do programa Uvas do Brasil, destaca que os cachos da nova cultivar apresentam baixa compacidade, o que facilita o raleio e reduz a demanda por mão de obra, fator relevante para a competitividade da viticultura de mesa na região.

Aprovação em campo

Em fase de validação comercial, a cultivar já demonstra aceitação entre produtores. O viticultor Jair Freiberger, em seu terceiro ano de produção da BRS Pérola, avalia que a variedade reúne diferenciais importantes, como a coloração amarelo-vivo das bagas, a crocância e o formato alongado, atributos valorizados pelo consumidor.

Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargin, a nova cultivar tem potencial para agregar valor à produção regional e fortalecer a viticultura de mesa na Serra Gaúcha, reforçando o papel da pesquisa pública no desenvolvimento da agricultura brasileira.

Características agronômicas

Foto: Patrícia Ritschel
Foto: Patrícia Ritschel

A BRS Pérola é resultado de cruzamento genético realizado em 2004 e passou por uma série de testes até a definição do sistema de produção recomendado para a Região Sul. A cultivar não é indicada para o Semiárido brasileiro.

Na Serra Gaúcha, as bagas atingem cerca de 18 milímetros após aplicação de ácido giberélico. Apresentam formato elipsoide alongado, película de espessura média, polpa incolor e textura moderadamente firme. Possuem traços rudimentares de sementes de tamanho reduzido.

Sob cultivo com cobertura plástica, o ciclo da brotação à colheita é de aproximadamente 170 dias, com maturação em fevereiro, caracterizando-a como cultivar de ciclo médio para a Região Sul.

Recomendações de cultivo

A recomendação técnica é para cultivo em sistema de latada, com espaçamento de 2,50 metros entre linhas e 2,00 metros entre plantas, sobre o porta-enxerto Paulsen 1103 e com uso de cobertura plástica — considerada fundamental para assegurar a qualidade das uvas de mesa no clima da região. A orientação é adotar poda mista, conforme detalhado na Circular Técnica da cultivar.

Comercialização de mudas

A BRS Pérola será inicialmente comercializada pelos viveiros licenciados Viecelli Viveiros, em Videira (SC), e MP Mudas, em Vacaria (RS), que já recebem pedidos para produção de mudas em 2026.

Outros viveiristas podem adquirir material básico mediante reserva junto à Estação Experimental de Canoinhas (SC), entre abril e junho, com entrega prevista para o período de julho a agosto. A Embrapa orienta que produtores interessados façam a reserva de mudas com antecedência mínima de um ano, já que a produção ocorre sob encomenda.

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