Formiga protege pulgão e reduz parasitismo em pimentão

Exclusão de Tapinoma ibericum eleva em 22,2% o número de múmias de Aphis gossypii

17.02.2026 | 16:13 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Clemson University, USDA
Foto: Clemson University, USDA

A presença da formiga Tapinoma ibericum reduz o sucesso do parasitoide Aphidius colemani no controle de Aphis gossypii em pimentão cultivado sob estufa no sudeste da Espanha. A exclusão das formigas elevou em 22,2% o número de múmias por planta e diminuiu o número de colônias de pulgões. O peso dos frutos não variou entre os tratamentos.

O trabalho avaliou o impacto da interação mutualística entre formigas e pulgões sobre o controle biológico em quatro estufas experimentais em Almería. A região concentra a maior área de horticultura protegida da Europa. O pimentão ocupa cerca de 12.500 hectares. A produção anual supera 893 mil toneladas.

Os pesquisadores conduziram experimento de exclusão de formigas em duas safras consecutivas, em 2018 e 2019. Cada estufa recebeu 16 plantas de pimentão infestadas com Aphis gossypii. Metade das plantas permaneceu acessível às formigas. A outra metade ficou isolada com barreiras físicas nas bases dos vasos.

Parasitoide liberado

Após o estabelecimento dos pulgões, os autores liberaram o parasitoide Aphidius colemani na dose de 30 múmias por estufa. A equipe monitorou semanalmente a abundância de pulgões, o número de colônias, a quantidade de múmias e a presença de inimigos naturais espontâneos durante quatro semanas.

A abundância total de pulgões não apresentou padrão consistente entre os anos. Em 2018, as plantas sem formigas registraram tendência de menor número de indivíduos. Em 2019, ocorreu o inverso. No conjunto dos dados, a presença das formigas não alterou de forma consistente a densidade total do inseto.

Número de colônias

O número de colônias, porém, respondeu de forma clara. Plantas com acesso de Tapinoma ibericum apresentaram média de 38,8 colônias por planta. Plantas sem formigas registraram 30,2 colônias. A agregação espacial dos pulgões aumentou na presença das formigas.

O efeito mais consistente ocorreu sobre o parasitismo. As plantas sem formigas apresentaram média de 65,9 múmias por planta. As plantas com formigas registraram 38 múmias. O modelo estatístico indicou aumento de 22,2% na abundância de múmias quando as formigas foram excluídas.

Os autores interpretam o resultado como evidência de interferência direta das formigas sobre a oviposição do parasitoide. A presença de Tapinoma ibericum dificulta o acesso de Aphidius colemani às colônias. O comportamento agressivo reduz o sucesso do parasitismo.

Inimigos naturais

A comunidade de inimigos naturais também mudou conforme o tratamento. A exclusão das formigas elevou a abundância de Chrysoperla carnea s.l., Scymnus sp. e Nesidiocoris tenuis. Esses organismos apresentaram menor número de indivíduos nas plantas com formigas.

O predador Aphidoletes aphidimyza apresentou padrão inverso. Sua abundância aumentou nas plantas com acesso de formigas. Aranhas e sirfídeos não registraram diferença significativa entre os tratamentos.

Os dados indicam que a presença de Tapinoma ibericum reorganiza a assembleia de inimigos naturais. Em plantas com formigas, o controle biológico ocorreu com maior participação de Aphidoletes aphidimyza. Em plantas sem formigas, a diversidade de predadores aumentou.

A produtividade não apresentou diferença estatística. Em 2019, os frutos das plantas com formigas registraram peso fresco médio de 59,6 gramas. As plantas sem formigas registraram 50,9 gramas. O peso seco também não variou de forma significativa.

O estudo conclui que Tapinoma ibericum promove agregação espacial de Aphis gossypii e reduz o parasitismo por Aphidius colemani. A interação não implicou queda de rendimento nas condições avaliadas. Os autores sugerem que a combinação de Aphidoletes aphidimyza com Aphidius colemani pode ampliar a eficiência do controle em áreas com presença de formigas mutualistas.

Outras informações em doi.org/10.1111/1744-7917.70249

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