Docosano ajuda no controle de bacterioses em tomate e maçã

Metabólito de Streptomyces age por indução de resistência

18.03.2026 | 14:01 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

O docosano, metabólito de Streptomyces sp. JCK-8055, induz resistência vegetal e reduz murcha bacteriana do tomate e fogo bacteriano da macieira em baixas doses. O composto não apresenta ação antibacteriana direta. A supressão da doença ocorre por ativação de vias de defesa da planta. Os resultados constam em estudo recente.

O trabalho identifica o docosano como indutor de resistência. A equipe isolou o composto por fracionamento guiado por bioensaios e confirmou a estrutura por GC–MS. O metabólito ativou marcadores de defesa em Arabidopsis thaliana e reduziu sintomas em tomate e macieira.

Em tomate, o controle da murcha bacteriana alcançou cerca de 80% nas doses de 0,6, 6 e 60 ng/mL. A dose de 6 ng/mL apresentou maior consistência. A 600 ng/mL, a eficiência caiu para próximo de 10%. Não houve fitotoxicidade. Em maçã, o docosano controlou o fogo bacteriano com 80,77% a 6 ng/mL e 34,62% a 0,6 ng/mL, com desempenho próximo a produtos comerciais.

Indução de resistência

Ensaios in vitro não indicaram inibição de Ralstonia solanacearum e Erwinia amylovora. O efeito ocorre via indução de resistência. Análises de expressão gênica indicam ativação simultânea das vias de ácido salicílico, ácido jasmônico e etileno. A resposta máxima ocorreu dois dias após inoculação, com aumento de genes PR1, PR2, PR3, LOXD, ETR4 e ACO1.

A dose de 6 ng/mL promoveu ativação coordenada das vias. O padrão sugere sinergia entre sinais de defesa. Doses mais altas geraram ativação intensa, porém desbalanceada, com menor controle de doença. O comportamento indica janela ótima de dose para indutores de resistência.

Concentrações nanométricas

O estudo reforça o potencial de indutores de resistência no manejo de bacterioses. O docosano atua em concentrações nanométricas e reduz dependência de antibióticos. A aplicação seguiu a via de infecção do patógeno: aplicação no solo para tomate e pulverização foliar para maçã.

Os pesquisadores destacam lacunas para uso em campo. Faltam dados sobre estabilidade ambiental, persistência e formulação. Avaliações adicionais devem incluir níveis hormonais, duração da proteção e interação com condições de cultivo.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107081

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