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“Estamos em meio a uma revolução dos bioinsumos”. A afirmação foi feita pelo presidente da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio), Thiago Delgado, na abertura do 3º Workshop de Inteligência de Mercado, realizado nesta terça-feira (17/3), em Campinas. Com mais de 200 inscritos, o evento abriu pela primeira vez a participação de não associados.
Segundo Delgado, o mercado de bioinsumos vive um momento de consolidação, com avanço sobre espaços tradicionalmente ocupados por produtos químicos. “Há um movimento de aquisições, entrada de novas tecnologias e segmentos em que o biológico já é a escolha preferencial do produtor, como os nematicidas”, destacou.
O executivo também ressaltou o cenário regulatório em transformação. De acordo com ele, o setor discute uma legislação própria, mais alinhada às especificidades dos bioinsumos. “Estamos saindo da lógica da lei dos agroquímicos para construir uma regulação adequada, que contemple produtos com múltiplas funções, amplie o controle de qualidade e traga mais segurança jurídica”, afirmou.
Entre os desafios, Delgado citou falhas de diagnóstico nas vendas, falta de conhecimento por parte dos produtores, dificuldades de comunicação, entraves nas biofábricas e a competição entre pesquisas públicas e privadas. “O futuro está na especialização”, resumiu.
No cenário internacional, o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da Dunham Trimmer, Ignacio Moyano Córdoba, apresentou dados de mercado e projetou crescimento para até 9,7% em biológicos entre os anos de 2025 a 2030. Atualmente, o segmento é liderado pelo biocontrole, que representa 55% do mercado, seguido por bioestimulantes (28%) e biofertilizantes (17%). Na segmentação por cultivos, grãos e cereais lideram o uso com 31%. América do Norte e Europa seguem como regiões mais maduras.
Segundo Córdoba, a principal barreira à adoção dos bioinsumos ainda é a falta de informação. Em levantamento feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) com 3,4 mil produtores, 57% apontaram esse fator como limitante. “A adoção depende de informação, capacitação e resultados consistentes”, afirmou. Para a indústria, isso implica ampliar validações locais, suporte técnico e interação agronômica.
Já o sócio-diretor da Agroconsult, Cleber Vieira, abordou os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros e as perspectivas para a safra 2026/27. De acordo com ele, conflitos internacionais seguem impactando cadeias estratégicas, como cana-de-açúcar, café, soja, algodão e fertilizantes.
“Este é um ano complicado. Ainda não temos todas as respostas, mas há orientações para atravessar 2026 sem ampliar perdas e permitir uma recuperação em 2027”, avaliou.
A diretora de operações da Anpii Bio, Larissa Bonotto, destacou que o uso de bioinsumos exige mudança de manejo e maior nível técnico no campo. “O biológico não é para quem quer fazer o básico. Exige conhecimento, cuidado no manejo, no transporte, na mistura e na aplicação. Diante do cenário atual, o produtor que quiser fechar a conta terá que evoluir”, afirmou.
Segundo ela, o contexto de pressão sobre margens pode impulsionar a adoção. “É um momento desafiador, mas também uma oportunidade para avançar e consolidar o desenvolvimento do setor”, completou.
A programação foi encerrada com uma mesa-redonda sobre o mercado de bioinsumos, sua relação com as commodities agrícolas e as perspectivas para os próximos anos.
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