Bayer Crop Science amplia receita e margem no segundo trimestre

Sementes, glifosato e inseticidas impulsionam resultado agrícola da Bayer, com avanço de 30,2% no EBITDA

04.08.2026 | 07:17 (UTC -3)
Revista Cultivar
Judith Hartmann, Bill Anderson e Michael Preuss
Judith Hartmann, Bill Anderson e Michael Preuss

A divisão Crop Science da Bayer registrou receita de € 4,910 bilhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa alta de 3,5% em bases ajustadas por câmbio e portfólio. O EBITDA antes de itens especiais avançou 30,2%, para € 902 milhões. A margem passou de 14,5% para 18,4% no intervalo de um ano. O crescimento das vendas e a redução do custo dos produtos vendidos sustentaram o desempenho.

O presidente do Conselho de Administração da Bayer, Bill Anderson, afirmou que o grupo mantém o desempenho previsto para o exercício. “Operacionalmente, estamos no caminho certo para alcançar nossas projeções para o ano”, disse o executivo, durante a apresentação dos resultados. Anderson também destacou a execução do plano de cinco anos da Crop Science como uma das prioridades estratégicas da companhia.

Sementes e proteção de cultivos

Os negócios de sementes e características (traits) de soja cresceram 16,9% no trimestre. A área de sementes de algodão avançou 69,2%. A companhia atribuiu parte desse movimento ao retorno do registro de dicamba nos Estados Unidos. O segmento de sementes e características de milho recuou 2,5%. Ganhos na Europa, Oriente Médio, África, Ásia e Pacífico compensaram apenas parte da redução de volumes na América do Norte. A Bayer informou uma concentração de vendas no primeiro trimestre nessa região.

Na proteção de cultivos, os herbicidas à base de glifosato lideraram o crescimento. As vendas subiram 12,6%, com aumento de volumes e preços. Europa, Oriente Médio e África concentraram os principais avanços. Os inseticidas cresceram 15,9%. Maiores volumes e preços nessas regiões e na Ásia e Pacífico favoreceram o resultado.

Receita agrícola

A receita agrícola atingiu € 4,910 bilhões, ante € 4,788 bilhões no segundo trimestre de 2025. O crescimento reportado alcançou 2,5%. Em bases ajustadas, Europa, Oriente Médio e África cresceram 3,3%. A América do Norte avançou 3,4%. Ásia e Pacífico aumentaram 9,5%. A América Latina permaneceu praticamente estável, com alta de 0,1%.

A melhora do resultado operacional também refletiu os programas de eficiência da divisão. O custo dos produtos vendidos caiu. A companhia relacionou esse movimento à execução do plano de cinco anos da Crop Science. O programa busca ampliar a rentabilidade e preservar a competitividade global do negócio agrícola.

Primeiro semestre

No acumulado do primeiro semestre, a receita da Crop Science chegou a € 12,468 bilhões. O avanço ajustado somou 5,5%. O EBITDA antes de itens especiais cresceu 20,5%, para € 3,916 bilhões. A margem alcançou 31,4%, ante 26,3% no mesmo período de 2025. O desempenho recebeu apoio das áreas de soja e milho, de receitas de licenciamento e dos programas de eficiência.

A Bayer também reorganizou o negócio de glifosato nos Estados Unidos. A empresa concentrou essa operação na Ruveon LLC. A nova estrutura assumiu responsabilidades sobre preços, estratégias comerciais, produção e logística no mercado norte-americano. A Ruveon permanece no grupo Bayer e integra a execução do plano de cinco anos da Crop Science.

A companhia ainda informou um acordo de licenciamento para comercialização ampla de trigo híbrido. A iniciativa integra a estratégia de renovação do portfólio agrícola.

Demais segmentos

Nos demais segmentos, a divisão Pharmaceuticals registrou receita de € 4,458 bilhões no trimestre. O valor ficou próximo ao observado um ano antes, com alta ajustada de 0,8%. O EBITDA antes de itens especiais caiu 3,6%, para € 1,055 bilhão. A Consumer Health alcançou receita de € 1,445 bilhão, com crescimento ajustado de 1,5%. O EBITDA antes de itens especiais recuou 3,6%, para € 319 milhões.

Resultado geral

No grupo, a receita do segundo trimestre somou € 10,872 bilhões. O aumento ajustado chegou a 2,2%. O EBITDA antes de itens especiais cresceu 1,9%, para € 2,144 bilhões. O lucro líquido alcançou € 219 milhões, ante prejuízo de € 199 milhões no mesmo período de 2025. O fluxo de caixa livre ficou negativo em € 371 milhões. Pagamentos ligados a litígios contribuíram para esse resultado. A dívida financeira líquida encerrou junho em € 33,647 bilhões.

Projeções para 2026

Para 2026, a Bayer manteve as projeções do grupo em bases cambiais constantes para receita, resultados e fluxo de caixa livre. A companhia revisou apenas a estimativa de dívida financeira líquida. A nova faixa varia de € 29 bilhões a € 30 bilhões. A previsão anterior variava de € 32 bilhões a € 33 bilhões. O ajuste considera um aporte de € 3 bilhões de fundos administrados pela Apollo em uma nova empresa ligada ao negócio de contraceptivos reversíveis de longa duração.

Na Crop Science, a Bayer acompanha riscos climáticos e geopolíticos durante o segundo semestre. A empresa citou possíveis efeitos do El Niño e a volatilidade do clima sobre plantio e produtividade em algumas regiões. A companhia também mantém a execução do plano de cinco anos, com foco em redução de custos, expansão de margens e ajustes na estrutura do negócio.

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