Bactéria reduz murcha de Fusarium em bananeira

Streptomyces angustmyceticus GD7-29 inibiu Foc TR4 em laboratório e reduziu sintomas em vasos

08.07.2026 | 10:37 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Thirunarayanan Perumal / Banaras Hindu University - Bugwood
Foto: Thirunarayanan Perumal / Banaras Hindu University - Bugwood

Pesquisadores identificaram a linhagem GD7-29, de Streptomyces angustmyceticus, como candidata ao biocontrole da murcha de Fusarium da bananeira causada por Fusarium oxysporum f. sp. cubense tropical race 4, conhecido como Foc TR4. A bactéria inibiu 70,1% do crescimento micelial do patógeno em ensaio in vitro. Em experimento com plantas em vasos, alcançou 50,8% de eficiência de controle (DOI 10.1016/j.pestbp.2026.107249).

O estudo aponta a linhagem como agente promissor para manejo sustentável da doença. A murcha de Fusarium da bananeira limita a produção global da cultura. O Foc TR4 causa amarelecimento foliar, murcha vascular e morte de plantas. O controle apresenta dificuldade devido à persistência do fungo no solo e em tecidos infectados. O trabalho também destaca a falta de controle químico efetivo e a disponibilidade limitada de cultivares resistentes.

A linhagem GD7-29 veio da rizosfera de bananeiras sadias da cultivar Brazilian, do grupo Cavendish, em Huizhou, na província de Guangdong, na China. Os pesquisadores isolaram 114 bactérias. Sete apresentaram ação antagônica contra Foc TR4. A GD7-29 exibiu o maior efeito antifúngico.

Identificação da bactéria

A identificação da bactéria combinou observações morfológicas, testes fisiológicos e bioquímicos e análises moleculares. Os dados posicionaram a linhagem dentro de Streptomyces angustmyceticus. Segundo o estudo, este constitui o primeiro relato do uso dessa espécie contra Foc TR4.

Nos ensaios em vasos, plantas inoculadas apenas com Foc TR4 apresentaram sintomas típicos, como amarelecimento de folhas e escurecimento do cormo. A incidência da doença chegou a 93,3% no controle com o patógeno. No grupo tratado com GD7-29, caiu para 61,1%. O índice da doença passou de 79,7 para 39,2.

Crescimento das plantas

A linhagem também promoveu crescimento das plantas. Em comparação ao controle sem inoculação, o tratamento aumentou 23,3% a massa fresca, 14,2% a altura das plantas, 15,2% o diâmetro do cormo e 6,5% o teor relativo de clorofila. A bactéria solubilizou potássio e fosfato inorgânico. Também produziu protease e sideróforos. Não apresentou capacidade de degradação de lignina.

O sobrenadante da cultura de GD7-29 também apresentou ação antifúngica. Nas concentrações testadas de 5%, 10% e 20%, o sobrenadante reduziu o crescimento micelial de Foc TR4. Na concentração de 20%, a inibição chegou a 70,8%. O sobrenadante ainda atrasou e reduziu a germinação de conídios do patógeno.

Análise metabolômica

A análise metabolômica identificou 1.409 metabólitos com abundância diferencial. Entre eles, os pesquisadores selecionaram 48 compostos com atividade antifúngica, antibacteriana ou promotora de crescimento, com base em registros da literatura. Esses compostos incluíram antibióticos, flavonoides, policetídeos, terpenoides, alcaloides, peptídeos não ribossomais e sulfonamidas.

O genoma de GD7-29 apresentou um cromossomo linear com 7.810.685 pares de bases e teor de guanina e citosina de 72,43%. A anotação indicou 6.729 regiões codificadoras previstas. A análise também identificou 33 agrupamentos gênicos de biossíntese ligados a metabólitos secundários, incluindo policetídeos, terpenos, peptídeos não ribossomais e peptídeos modificados pós-traducionalmente.

Os compostos orgânicos voláteis produzidos pela linhagem também reduziram o crescimento de Foc TR4. O ensaio indicou 67,3% de inibição. A análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas detectou cinco voláteis característicos. O ácido butanoico apresentou a maior abundância relativa, com 63,05% da área total dos picos.

Compostos comerciais

Nos bioensaios com compostos comerciais, o ácido butanoico inibiu Foc TR4 de forma dependente da concentração. As taxas chegaram a 13,9%, 35,8% e 60,3% nas concentrações de 0,1, 1 e 5 mililitros por litro. Em baixa concentração, de 0,1 mililitro por litro, o composto aumentou a massa fresca, a altura e o diâmetro do cormo de plantas de banana. Em ensaio de biocontrole, reduziu o índice da doença de 75,4 para 60,5, com eficiência de 19,8%.

A GD7-29 também ativou genes relacionados à defesa da bananeira. O estudo registrou aumento na expressão de marcadores das vias de ácido salicílico, ácido jasmônico e etileno nos primeiros dias após a inoculação. Os pesquisadores indicam um efeito de indução de resistência sistêmica associado ao tratamento.

Os resultados ainda dependem de validação fora de condições controladas. O estudo recomenda ensaios de campo em diferentes locais e safras, com avaliação do momento de aplicação, colonização, produtividade, saúde do solo e retorno econômico em comparação a controles químicos.

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