ZF desenvolve kit para tratores com suspensão dianteira na cana

O kit amplia a distância flange a flange de aproximadamente 1,9 m para 3 m, espaçamento utilizado em operações do setor sucroenergético

03.06.2026 | 10:24 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de ZF

A ZF desenvolveu no Brasil um kit de conversão para ampliar a bitola de tratores pesados utilizados em operações canavieiras. A solução é destinada a máquinas equipadas com suspensão dianteira e eixos ZF TSA20 e TSA23, na faixa de 180 cv a 250 cv. O objetivo é permitir que o trator trabalhe com bitola de três metros na cana-de-açúcar, preservando a arquitetura estrutural do conjunto e mantendo a possibilidade de retorno à configuração original.

O projeto foi conduzido pela engenharia da ZF no Brasil, onde a empresa mantém o Centro de Competência Global para Eixos Agrícolas. O kit amplia a distância flange a flange de aproximadamente 1.900 mm para 3.000 mm, medida necessária para adequar o trator ao espaçamento utilizado em operações do setor sucroenergético. Com a alteração, a máquina pode trafegar entre as linhas de plantio, reduzindo danos à cultura e diminuindo a compactação em áreas sensíveis da lavoura.

Segundo Juliano Alquati, gerente sênior de Gestão de Negócios da Divisão Industrial da ZF América do Sul, a solução atende tratores destinados ao cultivo da cana, em que a bitola de 3 metros é necessária para reduzir perdas e adequar o tráfego ao sistema de plantio.

Tráfego na lavoura

A ampliação de bitola está relacionada ao manejo do tráfego nas áreas de produção. Em lavouras com espaçamento definido entre linhas, a largura do trator influencia a posição dos pneus em relação às soqueiras. Quando a máquina não está adequada ao arranjo de plantio, há maior risco de pisoteamento, danos às plantas e compactação fora das faixas desejadas.

Ao passar para 3 metros, o trator se ajusta melhor às condições de tráfego exigidas na cana. Essa configuração permite que os rodados trabalhem em faixas mais compatíveis com o sistema de plantio, reduzindo a interferência direta sobre a cultura. O kit foi desenvolvido para tratores pesados, empregados em trabalhos que exigem tração, estabilidade e resistência estrutural, como apoio à colheita, preparo, subsolagem, transporte interno e deslocamentos entre frentes.

Juliano Alquati, gerente sênior de Gestão de Negócios da Divisão Industrial da ZF América do Sul, explica como funciona o novo kit para tratores com suspensão dianteira
Juliano Alquati, gerente sênior de Gestão de Negócios da Divisão Industrial da ZF América do Sul, explica como funciona o novo kit para tratores com suspensão dianteira

Suspensão dianteira

O principal desafio técnico do projeto foi viabilizar a conversão em tratores com suspensão dianteira. Em máquinas sem esse sistema, a ampliação da bitola pode ser feita por soluções mais simples, muitas vezes com componentes aplicados nas extremidades do eixo. Em tratores com suspensão dianteira, porém, a interface entre o sistema de suspensão e a estrutura do eixo impõe limitações adicionais.

De acordo com a ZF, a engenharia desenvolveu um novo conceito construtivo para evitar interferência entre a suspensão e os componentes responsáveis pela ampliação da bitola. O projeto envolveu nova ancoragem, aumento do comprimento dos componentes estruturais e redesenho do sistema de fixação. A proposta foi permitir a instalação do kit sem alterar a posição original da suspensão dianteira e sem comprometer a arquitetura do conjunto.

“O grande desafio técnico do projeto foi viabilizar a aplicação em um eixo com suspensão dianteira, algo que anteriormente não era possível devido à interferência entre a interface da suspensão e os componentes estruturais do eixo”, explica Alquati. Segundo a empresa, esse conceito foi determinante para o pedido de patente da tecnologia.

O projeto já passou pela etapa de validação estrutural do conceito e está em validação física em campo. Essa fase é relevante porque as operações em cana impõem esforços elevados ao eixo dianteiro, especialmente em áreas com solo irregular, tráfego repetitivo e manobras em cabeceiras.

Reversão da bitola

Além da ampliação da bitola, o kit foi projetado para permitir reversão da configuração. Com isso, o trator pode trabalhar com 3 metros durante as operações na cana e retornar à bitola original em outras atividades. Essa possibilidade amplia o uso da máquina fora das condições específicas do tráfego canavieiro.

Na prática, a reversibilidade evita que o produtor, a usina ou o prestador de serviço mantenha um trator dedicado exclusivamente à bitola ampliada. A mesma máquina pode ser utilizada na safra da cana e, depois, empregada em preparo de solo, subsolagem, deslocamentos internos ou transporte entre frentes de trabalho.

A reversão também interfere na logística. Tratores com bitola ampliada podem exigir mais cuidados em deslocamentos, embarque em plataformas e movimentação entre áreas distantes. Ao permitir o retorno à configuração standard, a solução reduz a dependência de transporte especial e facilita o aproveitamento da máquina.

Estrutura do eixo

Um dos cuidados do projeto foi evitar que a ampliação da bitola fosse feita por meio de extensões aplicadas nas extremidades do eixo. Segundo a ZF, esse tipo de adaptação pode aumentar os esforços sobre rolamentos, cubos, munhões e demais componentes externos, com impacto na durabilidade e na necessidade de manutenção.

No kit desenvolvido pela empresa, a extensão ocorre na estrutura central do conjunto, por meio de carcaças espaçadoras. Essa solução busca preservar a geometria do sistema de direção e a entrada dos esforços mecânicos no eixo. O objetivo é manter a durabilidade observada na configuração original, mesmo com a ampliação da largura operacional.

Como a alteração envolve componentes estruturais do eixo, a conversão deve ser realizada por usuário treinado. De acordo com a ZF, quando o procedimento é feito corretamente, a garantia de fábrica é mantida. O retorno da bitola de 3 metros à configuração standard exige que pontos de fixação, alinhamento e geometria sejam mantidos dentro dos parâmetros previstos.

A manutenção da suspensão dianteira é outro ponto importante do kit. Em tratores pesados, esse sistema contribui para reduzir impactos transmitidos à cabine e melhorar a dirigibilidade em operações com solo irregular. Também ajuda a manter contato mais constante entre pneus e solo, condição que pode favorecer tração e estabilidade em áreas com desníveis, sulcos e tráfego repetitivo.

O kit será oferecido ao mercado como opcional de conversão, e não como item de fábrica. A aplicação dependerá da necessidade operacional de cada produtor ou usina.

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