Safra de maçã registra maior incidência de “pingo de mel”

Fenômeno observado na safra 2025/2026 indica frutas mais doces, aromáticas e suculentas, explica Associação

02.06.2026 | 16:46 (UTC -3)
ABPM, edição Revista Cultivar

A safra brasileira 2025/2026 de maçãs Fuji tem chamado a atenção do setor por uma característica considerada rara nos pomares nacionais: a maior incidência do chamado “pingo de mel”. Associado à elevada concentração natural de açúcares na fruta, o fenômeno resulta em maçãs com sabor mais intenso, aroma acentuado e textura mais suculenta.

Visualmente, o pingo de mel se manifesta por áreas translúcidas na polpa, próximas ao miolo da fruta. Apesar do nome, não há presença de mel. O fenômeno ocorre naturalmente, principalmente em maçãs da variedade Fuji, quando condições climáticas específicas favorecem o acúmulo de açúcares durante a fase final de maturação.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Moisés Lopes de Albuquerque, as condições registradas nesta safra favoreceram o desenvolvimento dessa característica.

“Tivemos um ciclo mais alongado, com colheita mais tardia e temperaturas mais baixas durante a maturação das frutas. Esse cenário favoreceu o acúmulo natural de açúcares na polpa, contribuindo para uma presença mais expressiva do pingo de mel nesta safra”, explica.

De acordo com Albuquerque, o resultado são frutas com maior qualidade sensorial, combinando doçura elevada e equilíbrio com a acidez natural característica da maçã Fuji.

Característica é associada a produtos premium 

A presença do pingo de mel é especialmente valorizada em mercados asiáticos, principalmente no Japão — país de origem da variedade Fuji. Nesses mercados, maçãs com essa característica costumam ser associadas a produtos premium e alcançam maior valorização comercial devido ao sabor mais intenso.

Além da qualidade, a safra também deve registrar recuperação no volume produzido. Conforme estimativa da ABPM, a produção brasileira de maçãs deve ficar entre 1,1 milhão e 1,2 milhão de toneladas no ciclo 2025/2026, acima das cerca de 850 mil toneladas colhidas na safra anterior. Santa Catarina e Rio Grande do Sul seguem concentrando a maior parte da produção nacional.

“Estamos diante de uma safra bastante positiva. O clima favoreceu tanto a produtividade quanto a qualidade das frutas, permitindo ao consumidor encontrar maçãs com características sensoriais diferenciadas nesta temporada”, conclui o diretor executivo da ABPM.

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