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O Consevitis-RS lançou o Programa de Boas Práticas Sustentáveis na Viticultura, iniciativa voltada à adoção de práticas agrícolas, à segurança dos alimentos e à melhoria da gestão das propriedades produtoras de uvas destinadas ao processamento no Rio Grande do Sul. O programa prevê consultoria técnica, adequação das propriedades e posterior auditoria para certificação.
A iniciativa foi estruturada a partir de uma demanda identificada no Diagnóstico dos Viticultores da Serra Gaúcha, realizado pelo Consevitis-RS com apoio dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. Segundo o instituto, o levantamento apontou a necessidade de um programa básico de Boas Práticas Agrícolas entre os viticultores.
A proposta foi desenvolvida pela equipe técnica do Consevitis-RS, com apoio de consultores especializados, e discutida pelo Grupo de Trabalho de Viticultura, que reúne instituições e profissionais ligados ao setor, entre eles representantes da Embrapa, IFRS e Emater/RS.
O programa estabelece critérios relacionados à segurança dos alimentos, saúde e segurança dos trabalhadores, sustentabilidade ambiental, rastreabilidade, manejo da propriedade e outros aspectos aplicáveis à produção.
“Para o produtor, ela representa uma oportunidade de organizar e aprimorar os processos de produção, reduzir riscos, aumentar o controle sobre as atividades e demonstrar o compromisso com a qualidade, a segurança, a sustentabilidade e a responsabilidade na produção”, afirma o analista de Agronomia do Consevitis-RS, Gabriel Almeida da Silva.
Entre as práticas previstas estão o registro das atividades no caderno de campo, uso correto de produtos fitossanitários, regulagem e manutenção de equipamentos, cuidados com água e solo, higiene durante a colheita, destinação adequada de embalagens e resíduos e capacitação dos trabalhadores.
De acordo com o Consevitis-RS, a adoção dessas medidas pode contribuir para reduzir riscos de contaminação, preservar recursos naturais, aumentar a segurança dos trabalhadores, reduzir perdas e melhorar a organização e a rastreabilidade das propriedades.
A iniciativa é destinada a viticultores gaúchos que produzem uvas para processamento industrial. A adesão será gratuita e poderá ocorrer por meio das empresas ou entidades parceiras que atuarão como âncoras do programa ou diretamente pelo produtor, de forma independente.
Na fase piloto, o programa contará com cinco entidades âncoras e 40 produtores.
O processo de certificação será dividido em etapas. Inicialmente, os produtores receberão consultoria de adequação, com caráter orientativo. O trabalho terá como objetivo apresentar os requisitos do programa, identificar pontos que precisam ser ajustados e apoiar a implementação das práticas necessárias.
Na sequência, a propriedade passará por auditoria. Serão analisados documentos e registros, realizadas entrevistas e verificadas as condições existentes na unidade produtiva.
Caso sejam identificadas não conformidades, o produtor terá prazo para realizar as adequações. Uma nova avaliação será feita pelo auditor e, quando os requisitos forem considerados atendidos, será emitido parecer para análise e decisão de certificação, conforme as regras do programa.
Segundo o Consevitis-RS, a separação entre as etapas de orientação, avaliação e decisão busca garantir maior transparência e imparcialidade ao processo. A certificação terá validade de um ano.
O Programa de Boas Práticas Sustentáveis na Viticultura foi estruturado em alinhamento à Portaria Mapa nº 876/2025 e tem como objetivo futuro buscar o reconhecimento junto ao Ministério da Agricultura (Mapa).
Segundo o Consevitis-RS, o eventual reconhecimento poderá permitir a integração dos produtores certificados aos mecanismos do Agro Brasil + Sustentável, ampliando a comprovação de práticas sustentáveis adotadas nas propriedades.
A certificação também poderá ter reflexos no acesso ao crédito rural. Conforme o Consevitis-RS, o Plano Safra 2026/2027 prevê redução de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros de determinadas operações de crédito rural de custeio para produtores vinculados a programas de Boas Práticas Agropecuárias reconhecidos pelo Mapa, desde que atendidas as condições estabelecidas.
“Dessa forma, a certificação pode representar também melhores condições de acesso ao crédito, maior valorização do produtor e novas oportunidades de mercado”, afirma Silva.
O Consevitis-RS destaca ainda que experiências anteriores do instituto, como o apoio à assistência técnica e extensão rural (Ater) e à certificação PFA/GlobalG.A.P., contribuíram para a estruturação do novo programa.
A expectativa é consolidar a iniciativa e buscar o reconhecimento junto ao Mapa no médio prazo. No longo prazo, o Consevitis-RS pretende ampliar a adoção das Boas Práticas Agrícolas entre os viticultores gaúchos.
“A certificação é o reconhecimento de um trabalho que começa muito antes dela, dentro da propriedade. Ao disseminar essa cultura, estaremos contribuindo para uma viticultura gaúcha cada vez mais preparada para o futuro, sustentável e segura, fortalecendo não apenas o produtor certificado, mas todo o setor”, conclui o analista.
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