Sete populações de Cenchrus setaceus resistem ao glifosato

Estudo na Espanha identifica mutação na EPSPS e alteração no perfil de metabólitos do herbicida

27.09.2026 | 15:50 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi 10.1016/j.pestbp.2026.107367
doi 10.1016/j.pestbp.2026.107367

Pesquisadores confirmaram resistência ao glifosato em sete de dez populações de Cenchrus setaceus coletadas no sul da Espanha. As populações resistentes apresentaram fatores de resistência entre 20,3 e 28,0. Os resultados indicam padrões distintos de resistência entre as populações.

O estudo analisou dez populações da Andaluzia, nove delas coletadas em margens de rodovias. Sete vieram de áreas com histórico prolongado de aplicação de glifosato. Três populações suscetíveis apresentaram doses para redução de 50% da massa fresca entre 35,1 e 39,6 gramas de equivalente ácido por hectare. Nas resistentes, esses valores variaram de 804,0 a 1.108,6 gramas de equivalente ácido por hectare.

Quatro populações — CA1, CA2, CO2 e MA1 — apresentaram, no gene da EPSPS, a mutação que resulta na substituição Pro-106-Ser. O grupo também mostrou forte redução da sensibilidade da enzima ao glifosato. A atividade basal da EPSPS permaneceu semelhante entre as populações. O resultado não sustentou superexpressão constitutiva da enzima como mecanismo principal.

Padrão diferente

Outro padrão surgiu em CO1, MA1, MA2 e SE1. Após 96 horas da aplicação, essas populações apresentaram menos glifosato e mais ácido aminometilfosfônico, o AMPA, do que as populações suscetíveis. O desenho experimental avaliou apenas um momento após o tratamento. Por isso, os dados indicam maior conversão líquida do herbicida até 96 horas, sem medir a velocidade do metabolismo.

A população MA1 reuniu a mutação Pro-106-Ser e o perfil alterado de metabólitos. Os ensaios, porém, utilizaram plantas diferentes. Assim, o trabalho não comprova que as duas características ocorram no mesmo indivíduo nem que atuem de forma aditiva.

Retenção da calda, absorção e distribuição do glifosato não diferiram entre as populações após 96 horas. Os pesquisadores defendem a diversificação do manejo e alertam contra o uso repetido de um único mecanismo de ação (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107367).

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