Tecnologia reduz impacto da alta dos fertilizantes

Uso de agricultura de precisão pode gerar economia de até 10%, aponta especialista da Valtra

30.03.2026 | 14:44 (UTC -3)
Beatriz Voltani

Os produtores brasileiros estão refazendo as contas para absorver os atuais altos custos de produção, levando em conta o aumento nos preços do combustível e fertilizantes, acarretados pelos conflitos no Oriente Médio. Com o Brasil importando entre 80% e 90% dos insumos nitrogenados utilizados, e com os fertilizantes representando cerca de 40% do custo total de produção, a eficiência operacional tornou-se uma importante ferramenta de sobrevivência financeira para o produtor.

Diante desse encarecimento somado à falta de combustível, o produtor precisa de uma alternativa para cortar gastos, e a escolha do maquinário certo pode ajudar nessa questão.

“A tecnologia de precisão deixou de ser apenas inovação para se tornar um redutor de custos da lavoura, já que ela garante que o insumo seja aplicado apenas onde é necessário, sem desperdícios que pesam na conta final”, comenta Elizeu dos Santos, Gerente de Marketing de Produto da Valtra, fabricante global de máquinas agrícolas.

Segundo o especialista, um dos maiores gargalos financeiros na agricultura atual é a sobreposição de insumos, que se trata do desperdício ocorrido quando fertilizantes, sementes ou defensivos são aplicados mais de uma vez na mesma área. Em operações de direção manual, o excesso de aplicação pode chegar a 4,5%. As tecnologias combatem diretamente essa perda.

Com o uso do piloto automático Valtra Guide aliado ao Controle de Seção (Section Control), a sobreposição pode ser reduzida a zero. Essa precisão gera uma economia direta de 4,5% a 10% nos custos com fertilizantes. Além disso, a maioria dos equipamentos da Valtra já faz a leitura de mapas de prescrição para realizar a aplicação em taxa variável, entregando a quantidade exata de insumo no local correto, respeitando as necessidades específicas de cada zona do terreno.

“A rentabilidade é decidida nos detalhes, e as tecnologias aplicadas no campo são importantes para a proteção de margem do agricultor. O uso inteligente de implementos, tecnologias, insumos e até do combustível pode ajudar o produtor a economizar e obter um maior retorno financeiro de suas produções”, ressalta Elizeu.

Para otimizar ao máximo o uso do adubo, a Valtra destaca inovações em seu portfólio de plantio e distribuição. A Plantadeira Momentum, por exemplo, conta com três seções de corte de fertilizante. Esse sistema reduz significativamente a sobreposição nas cabeceiras e melhora a eficiência da aplicação, gerando economia imediata do insumo. Outro grande aliado é o Distribuidor Dry Box 560, ideal para sementes e fertilizantes, que cobre grandes áreas com um rendimento de até 400 hectares por dia e, graças à sua tecnologia embarcada e piloto automático de fábrica, garante uma aplicação otimizada que ainda reduz o consumo de combustível em até 35%.

O combate ao desperdício também se estende à pulverização. Os Pulverizadores da Série R contam com a tecnologia de controle de vazão com sistema PWM bico a bico. Somados ao pacote Liquid Logic para a melhor gestão da calda, esses equipamentos reduzem sobreposições de forma inteligente e entregam uma impressionante economia de até 73% no uso de defensivos e insumos nas bordaduras.

Economia de combustível e proteção do solo

O diesel mais escasso e caro também pesa no orçamento operacional. A modernização da frota permite sair de sistemas engessados para uma gestão em que a máquina consome apenas o estritamente necessário. Equipamentos com a transmissão continuamente variável (CVT), como os tratores das Séries Q e T da Valtra, otimizam o uso da força do motor, permitindo uma economia média de combustível de 25% a 30% quando comparados a transmissões convencionais.

Essa eficiência também é aplicada na Série S6. O modelo opera com o motor AGCO Power de 8,4 litros, projetado para atingir a potência máxima com 7% menos rotações, o que reduz o consumo entre 10% e 15%. O equipamento também integra ferramentas de automação, como o SmartTurn, que elimina sobreposições nas manobras de cabeceira, evitando o gasto desnecessário de tempo e combustível, e minimizando a compactação do solo.

"Para um produtor que opera centenas de horas por safra, essa diferença paga o investimento na tecnologia e blinda a operação contra a volatilidade do preço do diesel", conclui Elizeu dos Santos.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp