Predadores ampliam controle de mosca-branca em tomateiro

Estudo em casa de vegetação indicou maior supressão de Bemisia tabaci com uso conjunto de Nesidiocoris tenuis e Orius laevigatus

03.06.2026 | 07:01 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Merle Shepard - Gerald R Carner - P A C Ooi
Foto: Merle Shepard - Gerald R Carner - P A C Ooi

A liberação conjunta de Nesidiocoris tenuis e Orius laevigatus reduziu em 79,50% a densidade de ovos e em 78,02% a densidade de ninfas de Bemisia tabaci em tomateiro cultivado em casa de vegetação. O resultado superou o desempenho dos predadores usados de forma isolada e elevou componentes de produtividade da cultura, sem prejuízo aos parâmetros avaliados de qualidade dos frutos. Nenhuma das espécies existe no Brasil.

A pesquisa avaliou o manejo biológico da mosca-branca em tomateiro sob condições controladas na Arábia Saudita. O experimento ocorreu no National Organic Agriculture Center, em Unaizah, Al-Qassim, entre dezembro de 2024 e junho de 2025. Os cientistas trabalharam com tomateiro cultivar Newton, em casa de vegetação de 360 metros quadrados. A temperatura permaneceu em 24 graus Celsius, com variação de um grau Celsius. A umidade relativa ficou entre 60% e 70%.

Seis tratamentos

Os pesquisadores compararam seis tratamentos. A lista incluiu liberação isolada de Nesidiocoris tenuis, liberação isolada de Orius laevigatus, liberação conjunta dos dois predadores, controle sem tratamento, inseticida orgânico à base de azadiractina e inseticida químico dinotefuran 20% SG. As parcelas receberam adultos de Bemisia tabaci no início de fevereiro de 2025, na dose de 20 adultos por parcela. As liberações dos predadores ocorreram em 18 de março e 20 de abril de 2025.

No tratamento isolado, Nesidiocoris tenuis apresentou maior efeito sobre ovos. A redução média chegou a 67,44%. Orius laevigatus reduziu ovos em 57,71%. Quando os dois predadores atuaram em conjunto, a redução subiu para 79,50%. A diferença entre tratamentos apresentou significância estatística.

Para ninfas, Orius laevigatus mostrou desempenho ligeiramente maior no uso isolado. A redução média chegou a 63,30%. Nesidiocoris tenuis reduziu ninfas em 60,73%. A liberação conjunta atingiu 78,02%. Os cientistas interpretaram o resultado como possível efeito aditivo ou sinérgico entre os predadores.

Tratamento químico

O tratamento químico apresentou as maiores reduções entre todos os tratamentos. Ele reduziu ovos em 88,81% e ninfas em 85,74%. A combinação dos predadores ficou acima dos tratamentos biológicos isolados e do inseticida orgânico. O inseticida orgânico reduziu ovos em 50,47% e ninfas em 52,88%.

A população da praga cresceu ao longo do período de avaliação nas parcelas sem tratamento. A densidade de ovos variou de 3,44 a 32,24 ovos por folha. A maior densidade de ovos ocorreu na décima primeira avaliação semanal. A densidade de ninfas variou de 4,48 a 124 indivíduos por folha. O pico de ninfas ocorreu na décima quinta avaliação.

Qualidade dos frutos

Na qualidade dos frutos, o tratamento conjunto apresentou destaque em vitamina C. O teor chegou a 124,66 miligramas por 100 gramas. Esse valor superou os demais tratamentos e apresentou diferença estatística. O mesmo tratamento registrou 2,42% de nitrogênio e 13,97% de proteína. As diferenças para fósforo, potássio, fenóis totais e sólidos solúveis totais não apresentaram significância estatística.

Os cientistas afirmaram que os predadores atuam de forma complementar sobre diferentes estágios da praga. Nesidiocoris tenuis teve maior efeito sobre ovos. Orius laevigatus teve maior efeito relativo sobre ninfas. Essa complementaridade favoreceu maior supressão de Bemisia tabaci e melhor desempenho produtivo do tomateiro em casa de vegetação.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17060582

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