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As exportações do complexo soja e o andamento das principais culturas agrícolas apresentam cenários distintos no Paraná em 2026. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), as exportações paranaenses do complexo soja somaram 11,67 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, enquanto a colheita da segunda safra de milho 2025/26 se aproxima do fim e a cevada começa a sentir os efeitos do excesso de umidade.
No complexo soja, o volume exportado pelo Paraná cresceu 4% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas externas movimentaram US$ 5,2 bilhões, alta de 13% na comparação anual. A China permanece historicamente como o principal destino da soja paranaense, absorvendo, em geral, cerca de 60% dos embarques do estado.
O óleo de soja foi o produto que apresentou o maior avanço entre os componentes do complexo. As exportações paranaenses cresceram 48% em volume e 68% em valor nos primeiros oito meses do ano. Foram embarcadas 563,95 mil toneladas, contra 380,36 mil toneladas no mesmo período de 2025.
No cenário nacional, as exportações do complexo soja chegaram a 111,7 milhões de toneladas de janeiro a agosto, 8% acima dos 103 milhões de toneladas registrados no mesmo intervalo de 2025. Em receita, o avanço foi de 17%, para US$ 47,54 bilhões.
A colheita da segunda safra de milho 2025/26 está praticamente concluída no Paraná. Conforme o Deral, mais de 95% dos 2,91 milhões de hectares cultivados já haviam sido colhidos na semana de 17 de setembro.
Enquanto a segunda safra chega à reta final, o plantio da primeira safra de milho 2026/27 avançou e alcançou 43% dos 373 mil hectares projetados. Entre as áreas já semeadas, 97% estão classificadas em condição boa e 3% em condição mediana.
Na cevada, o ritmo de colheita ainda é inicial, com 4% dos 130 mil hectares estimados já colhidos. O percentual está próximo do registrado no mesmo período da safra anterior, quando 6% da área havia sido colhida, sem indicar atraso significativo.
O principal ponto de atenção está nas condições climáticas. A predominância de dias frios, nublados e úmidos nas últimas semanas começa a afetar as lavouras, especialmente aquelas em estágios reprodutivos e de maturação.
Em apenas uma semana, a parcela de lavouras classificadas como em condição média passou de 14% para 20%, enquanto as consideradas boas recuaram de 86% para 80%. No mesmo período de 2025, 90% das lavouras estavam em boas condições e 10% em situação média.
Diante desse quadro, o Deral considera improvável a repetição da produtividade de 4.736 kg/ha obtida na safra passada. A expansão de 23% na área cultivada, de 106 mil para 130 mil hectares, porém, pode compensar parte da eventual perda de rendimento e permitir uma produção superior às 500 mil toneladas registradas no ciclo anterior.
A consolidação desse resultado dependerá do comportamento do clima durante o pico da colheita, previsto para outubro e novembro. O El Niño aparece como um dos principais fatores de incerteza, diante do aumento das chuvas já observado durante o inverno, período normalmente mais seco no Paraná.
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