Manejo de abelhas nativas eleva produtividade da acerola no Semiárido
Pesquisa da Embrapa indica que ninhos-armadilha e oferta de flores ampliam frutificação no Vale do São Francisco
Dois parasitoides nativos passaram a atacar ovos da cigarrinha Amrasca biguttula na Flórida, Estados Unidos. O registro ocorreu em lavoura de quiabo em Homestead. As espécies Anagrus vulneratus e Anagrus sp. near vulneratus emergiram de ovos da praga invasora. O achado indica potencial para controle biológico.
Amrasca biguttula figura como praga quarentenária nos Estados Unidos. O inseto infesta culturas como algodão, quiabo, berinjela, girassol e hibisco. Ninfas e adultos sugam a seiva na face inferior das folhas. O ataque provoca amarelecimento, encarquilhamento e necrose marginal. Em algodão, perdas variam de 19% a 49%. Em quiabo, prejuízos alcançam 50%.
Autoridades detectaram a espécie na Flórida em dezembro de 2024. A praga avançou pelo Caribe e sudeste dos EUA. Viveiros de hibisco sob infestação recebem ordem de bloqueio comercial.
Pesquisadores coletaram folhas de quiabo infestadas em setembro e outubro de 2025 no Tropical Research and Education Center da Universidade da Flórida. Cinco fêmeas de Anagrus emergiram de ovos de Amrasca biguttula. A equipe realizou identificação morfológica e molecular. As análises incluíram sequenciamento dos marcadores COI e ITS2.
Quatro espécimes corresponderam a Anagrus vulneratus. Um exemplar correspondeu a Anagrus sp. near vulneratus. As duas espécies pertencem ao complexo Anagrus epos. Ambas ocorrem na América do Norte. Não há registro dessas espécies no Velho Mundo, origem da cigarrinha.
Os dados indicam mudança de hospedeiro. As vespas possivelmente exploravam cigarrinhas nativas do gênero Empoasca. A abundância de ovos de Amrasca biguttula pode ter favorecido a transição.
A literatura aponta parasitoides de ovos como principais inimigos naturais de Amrasca biguttula. Espécies do gênero Anagrus atacam ovos inseridos nas nervuras das folhas. A ação reduz o crescimento populacional da praga.
Os autores recomendam novos estudos. A equipe pretende medir taxas de parasitismo e compatibilidade com programas de manejo integrado. O trabalho também alerta para limitações de bancos públicos de DNA na identificação de Mymaridae.
Mais informações em doi.org/10.3390/insects17030269
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura