Manejo de abelhas nativas eleva produtividade da acerola no Semiárido

Pesquisa da Embrapa indica que ninhos-armadilha e oferta de flores ampliam frutificação no Vale do São Francisco

02.03.2026 | 17:42 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Clarice Rocha
Foto: Lúcia Kiill
Foto: Lúcia Kiill

O manejo de abelhas solitárias nativas pode ampliar entre 32% e 103% a produção de acerola no Vale do São Francisco. A conclusão parte de pesquisas conduzidas pela Embrapa Semiárido em áreas irrigadas de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). O estudo aponta que a oferta de recursos florais e a instalação de ninhos-armadilha fortalecem a presença de polinizadores e ampliam a frutificação.

Os experimentos instalaram 840 ninhos-armadilha em pomares comerciais. A taxa de ocupação alcançou 88,21%. O índice superou registros anteriores. As abelhas da tribo Centridini responderam por 91,7% das visitas às flores nas áreas avaliadas.

A pesquisa identificou 11 espécies visitantes da aceroleira. Entre elas: Centris aenea, C. tarsata, C. analis, C. obsoleta e C. maranhensis. Centris aenea concentrou 95% das visitas florais. As abelhas do gênero Centris coletam óleos florais para construção dos ninhos e alimentação das larvas. O processo promove transferência de pólen e eleva a taxa de frutificação e o peso dos frutos.

Mesmo em cultura autopolinizada, a presença de polinizadores incrementa a produção. A coordenadora do estudo, Lúcia Kiill, relata ganhos expressivos na Fase I do projeto.

Produção de acerola

O Brasil lidera a produção e exportação mundial de acerola. O Nordeste concentra 80% da produção, com destaque para Pernambuco, Ceará e Sergipe. Nos perímetros irrigados de Petrolina e Juazeiro, a cultura ocupa cerca de 7 mil hectares. Os pomares realizam até oito colheitas por ano. A produção abastece o mercado in natura e a indústria de sucos e polpas. Pequenos e médios produtores garantem renda constante com a atividade.

O estudo recomenda manter espécies vegetais no entorno dos pomares para oferta contínua de pólen, néctar e óleos florais. Entre as plantas indicadas figuram murici, embira-rosa, pau-ferro, falsa-dormideira e malva-rasteira. A preservação de áreas de Caatinga amplia a disponibilidade de recursos às abelhas.

A pesquisa também orienta a instalação de ninhos-armadilha em blocos de madeira perfurados. Cavidades entre 10 e 12 milímetros de diâmetro e profundidade de 10 a 14 centímetros registraram melhor desempenho. A instalação deve ocorrer em locais sombreados e protegidos, próximos às áreas de origem dos insetos.

A próxima etapa do projeto prevê parceria público-privada com a Niagro e doze propriedades do Vale do São Francisco. A iniciativa vai validar o uso de ninhos-armadilha em cultivos convencionais e orgânicos. As áreas passam por análise de cobertura vegetal, disponibilidade hídrica, infraestrutura e conectividade com fragmentos de Caatinga. O projeto também prevê capacitação de produtores, técnicos, jovens e mulheres rurais para adoção das práticas de manejo.

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