Bactérias reduzem podridão da raiz do trigo em cerca de 60%

Inoculação reorganizou o microbioma da rizosfera e ampliou funções ligadas à defesa e ao crescimento vegetal

28.09.2026 | 07:37 (UTC -3)
Revista Cultivar
Imagens: Caroline Sayuri Nishisaka / Embrapa
Imagens: Caroline Sayuri Nishisaka / Embrapa

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade de São Paulo identificaram três bactérias capazes de reduzir em cerca de 60% a severidade da podridão da raiz do trigo causada por Bipolaris sorokiniana. Os testes foram feitos em vasos, sob condições controladas. Streptomyces virginiae, Paenibacillus ottowii e Pseudomonas inefficax foram aplicadas às sementes, com uma dose de reforço na base do caule. As bactérias modificaram o microbioma da rizosfera e favoreceram a proteção das plantas.

O efeito ocorreu sem redução consistente da quantidade do patógeno no solo. A inoculação alterou a composição da comunidade bacteriana e foi o principal fator associado à severidade da doença. Os resultados sugerem um mecanismo de resistência mediado pelo microbioma, em vez da simples eliminação do fungo.

Maior efeito

Entre as três espécies, Pseudomonas inefficax apresentou o maior efeito sobre a biomassa das raízes. A bactéria também concentrou o maior número de características genéticas associadas à promoção do crescimento, como aquisição de nitrogênio, solubilização de fósforo, absorção de ferro, tolerância a estresses abióticos e formação de biofilme.

Nos tratamentos com Streptomyces virginiae e Pseudomonas inefficax, o microbioma da rizosfera manteve a diversidade de genes ligados à promoção do crescimento vegetal em níveis semelhantes aos do controle. Ele também passou a ter mais grupos de genes biossintéticos associados à produção de metabólitos do que nas plantas expostas só ao fungo. Com Paenibacillus ottowii, a diversidade desses genes caiu.

As linhagens integram o portfólio de ativos da Embrapa e podem servir de base para futuros inoculantes voltados ao manejo de doenças do trigo, mas ainda precisam ser avaliadas em outros solos e em campo. Os pesquisadores agora investigam quais metabólitos produzidos pelas plantas sustentam as bactérias benéficas e quais vias metabólicas são ativadas nessa interação (doi 10.1038/s41522-026-01021-8).

O trabalho está sendo realizado pelo cientistas Caroline Sayuri Nishisaka, Hélio Danilo Quevedo, Thierry Alexandre Pellegrinetti, Fernanda de Almeida Godoy, Maike Rossmann, Lucas William Mendes e Rodrigo Mendes.

Leia também: Diversidade microbiana afeta controle biológico no trigo

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