Sete populações de Cenchrus setaceus resistem ao glifosato
Estudo na Espanha identifica mutação na EPSPS e alteração no perfil de metabólitos do herbicida
Alcaloides extraídos das raízes laterais de Aconitum carmichaelii apresentaram atividade inseticida contra Acyrthosiphon pisum em ensaios de laboratório. A fração de alcaloides totais atingiu concentração letal mediana de 0,82 micrograma por mililitro após 24 horas por ingestão. Por contato, o valor chegou a 16,47 microgramas por mililitro. O resultado aponta maior toxicidade pela via oral nas condições avaliadas.
A análise por LC-MS/MS anotou 422 compostos na fração. Os alcaloides diterpenoides formaram o maior grupo, com 148 compostos, ou 35,07%. Os pesquisadores isolaram sete alcaloides diterpenoides já conhecidos. Em uma triagem preliminar com concentração única de 100 microgramas por mililitro, neolina e isotalatizidina apresentaram as maiores mortalidades: 63,3% e 60,0%, respectivamente. Ainda assim, os dois compostos foram menos ativos que a fração completa. Para os autores, isso sugere que a atividade inseticida pode resultar da ação combinada de vários alcaloides, e não de uma única substância.
Os ensaios bioquímicos registraram redução da atividade de glutamato descarboxilase e de Ca²⁺/Mg²⁺-ATPase em todas as concentrações testadas. A queda da atividade de acetilcolinesterase e o acúmulo de acetilcolina foram significativos apenas nas duas concentrações mais altas. Análises transcriptômicas e metabolômicas apontaram alterações em sinalização neural, homeostase iônica, respostas de detoxificação e metabolismo. Essas análises, porém, foram feitas apenas nos pulgões que sobreviveram à exposição, que podem representar um grupo mais tolerante.
A docagem molecular previu possíveis interações de neolina e isotalatizidina com modelos de proteínas relacionadas à neurotoxicidade. Esses modelos vêm de outras espécies (ser humano, caramujo, mosca-das-frutas e abelha), e não do próprio pulgão. O estudo tratou essas interações como hipóteses, sem confirmação do alvo molecular. Os pesquisadores indicam a necessidade de testes de dose-resposta, validação funcional, padronização da fração, estudos de formulação e avaliações em casa de vegetação e campo. Também recomendam estudos de segurança e seletividade para organismos não alvo (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107363).
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