Pseudomonas fluorescens eleva a produtividade do milho de segunda safra
Por Leonardo Monteiro Rocha, Emmanuel Zullo Godinho e Caetano Dartiere Zulian Fermino (Unisagrado)
Os avanços no manejo de pragas agrícolas vêm exigindo soluções que conciliem eficiência, seletividade e sustentabilidade. O produtor busca, cada vez mais, ferramentas que mantenham o controle das principais lagartas sem comprometer o equilíbrio do ecossistema da lavoura.
Nesse cenário, os inseticidas ecdisteroides, também conhecidos como reguladores de crescimento de insetos (IGRs), ocupam um papel estratégico.
Esses produtos interferem no processo de muda (ecdise), simulando o hormônio natural dos insetos responsável por essa etapa do desenvolvimento. O resultado é um controle eficiente e seletivo, especialmente sobre as lagartas das culturas de importância econômica, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
Os inseticidas ecdisteroides, como os princípios ativos metoxifenozida, tebufenozida e cromafenozida, pertencem ao grupo químico das diacilhidrazinas. Eles mimetizam a ação da ecdisona, hormônio responsável pela troca de cutícula nas fases imaturas dos insetos.
Quando a lagarta entra em contato ou ingere o produto, o composto se liga aos receptores hormonais e desencadeia uma muda precoce e desordenada. O inseto para de se alimentar quase imediatamente e, em pouco tempo, morre em razão da ecdise incompleta ou malformada.
Na prática, o produtor percebe uma redução rápida dos danos na cultura, embora a mortalidade visível das lagartas ocorra de forma mais lenta. Esse comportamento pode causar a falsa impressão de falha de controle, mas é o modo de ação característico dos ecdisteroides: a lagarta simplesmente deixa de causar prejuízos logo após a exposição ao produto.
Um dos principais diferenciais dessa tecnologia está na seletividade. Os inseticidas ecdisteroides são altamente específicos para lepidópteros e têm baixo impacto sobre inimigos naturais, como joaninhas, crisopídeos e vespas parasitoides. Essa característica os torna ferramentas valiosas em programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Além disso, por atuarem em um modo de ação distinto, esses produtos ajudam na rotação de ingredientes ativos, reduzindo o risco de resistência em populações de lagartas-praga. Essa rotação é cada vez mais necessária diante do uso intensivo de grupos químicos neurotóxicos, como piretroides e neonicotinoides.
Outro ponto positivo é a segurança para o aplicador e para o meio ambiente, já que as diacilhidrazinas apresentam baixa toxicidade para mamíferos, aves e peixes. Essa característica é valorizada em programas de produção sustentável e certificações agrícolas.
No campo, os inseticidas ecdisteroides têm demonstrado excelente desempenho no controle de lagartas de lepidópteros que causam prejuízos expressivos nas lavouras brasileiras.
Na soja, apresentam alta eficiência sobre a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens).
No milho, o principal alvo é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que também é controlada com bons resultados quando o produto é aplicado nos estágios iniciais de infestação.
Na cana-de-açúcar, são produtos importantes contra a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), e, no algodão, auxiliam no controle de Helicoverpa armigera e Alabama argillacea.
O desempenho ideal ocorre quando o tratamento é realizado sobre lagartas jovens, nos primeiros instares, fase em que o consumo de tecido vegetal e a ingestão de produto são mais intensos.
Entre os produtos registrados no Brasil destacam-se os que citaremos a seguir...
• Metoxifenozida - indicado para diversas culturas, com ação translaminar e seletividade elevada.
• Tebufenozida - utilizado principalmente em soja, milho e algodão.
• Cromafenozida - com registro para diferentes alvos de lepidópteros.
Esses produtos devem ser aplicados, preferencialmente, logo após a detecção das primeiras lagartas. A aplicação tardia, quando os insetos já se encontram em estágios mais desenvolvidos, reduz a eficiência do controle.
Outro ponto importante, é a uniformidade de cobertura: como o produto atua por contato e ingestão, é essencial que a pulverização alcance o dossel da planta e as superfícies de alimentação das lagartas. A adição de adjuvantes pode melhorar a penetração e a distribuição da calda.
O intervalo entre aplicações depende da cultura e do nível de infestação, mas, em geral, os ecdisteroides apresentam bom efeito residual, permitindo intervalos mais longos em condições de baixa pressão de pragas.
O uso isolado e repetitivo de um mesmo grupo químico favorece o aparecimento de populações resistentes. Por isso, a integração dos ecdisteroides a programas de manejo de resistência é fundamental.
A recomendação é alternar o uso desses produtos com inseticidas de outros modos de ação, evitando aplicações consecutivas na mesma safra.
O Irac (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas) classifica os ecdisteroides no Grupo 18 - “moduladores de receptores de ecdisona” -, o que facilita sua rotação com grupos neurotóxicos e moduladores de canais de cálcio, como as diamidas.
Essa estratégia reduz a pressão de seleção e prolonga a vida útil das moléculas disponíveis no mercado.
Nos últimos anos, diversas pesquisas vêm demostrando o potencial de uso combinado dos ecdisteroides com produtos biológicos à base de Bacillus thuringiensis (Bt). Essa associação pode potencializar o controle de lagartas e diminuir o uso total de inseticidas convencionais.
Outra tendência é o desenvolvimento de formulações mais estáveis e de liberação controlada, o que deve aumentar a persistência do produto sobre a folha e melhorar a eficiência em condições climáticas adversas.
Embora o número de ingredientes ativos dessa classe não tenha aumentado significativamente, há um interesse crescente da indústria química em aprimorar a tecnologia, buscando maior potência e custo-benefício.
A longo prazo, a expectativa é de que os ecdisteroides continuem sendo uma ferramenta-chave em programas de manejo sustentável, especialmente em sistemas produtivos que valorizam a preservação de inimigos naturais e a redução do impacto ambiental.
Algumas práticas são essenciais para que o uso dos ecdisteroides sejam eficientes no controle de pragas no campo. A seguir, citaremos as principais.
• Monitorar a lavoura e iniciar o controle no início da infestação.
• Realizar a aplicação com volume e pressão adequados para boa cobertura foliar.
• Evitar pulverizações sob vento forte ou alta temperatura.
• Alternar modos de ação dentro do programa de manejo.
• Integrar o uso com táticas culturais, biológicas e químicas.
• Registrar e acompanhar o histórico de aplicações na propriedade.
Essas práticas são determinantes para manter a eficiência do controle e garantir o retorno econômico do investimento.
Os inseticidas ecdisteroides são produtos modernos e seletivos para o controle de lagartas-praga nas principais culturas agrícolas do país. Sua forma de ação diferenciada, a baixa toxicidade e a compatibilidade com inimigos naturais fazem deles aliados importantes do manejo integrado.
Quando utilizados com critério - no momento certo e integrados a outras táticas -, proporcionam controle eficiente, segurança ambiental e sustentabilidade à produção agrícola.
* Por Thaís Fagundes Matioli Polisel, Esalq/USP
Artigo publicado na edição 320 da Revista Cultivar Grandes Culturas
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