Pequenas florestas, grandes impactos
Por Fernanda Viana Bender, do SindiTabaco
A eficiência no uso do fósforo segue como um dos principais desafios no cultivo do milho de segunda safra, especialmente em solos tropicais conduzidos sob sistema de plantio direto. Mesmo com práticas adequadas de correção e adubação, parte do fósforo aplicado pode permanecer indisponível às plantas, reduzindo o aproveitamento do nutriente e impactando a produtividade.
Nesse cenário, o uso de microrganismos benéficos surge como alternativa complementar no manejo nutricional das lavouras. A bactéria Pseudomonas fluorescens tem se destacado por sua atuação na rizosfera, favorecendo a solubilização do fósforo e estimulando o desenvolvimento radicular, o que pode refletir em melhor desempenho produtivo.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de Pseudomonas fluorescens, isoladamente ou em associação com Azospirillum brasilense, sobre a produtividade do milho de segunda safra, em condições reais de campo.
O experimento foi realizado em área comercial no município de Bauru (SP), em solo classificado como latossolo vermelho eutroférrico, sob sistema de plantio direto. A área apresentava histórico de manejo adequado da fertilidade, com correção do solo e adubações realizadas conforme as práticas técnicas da propriedade.
Foi utilizado o híbrido de milho P3889R, de ciclo precoce, semeado na segunda safra, com população aproximada de 65 mil plantas por hectare e espaçamento de 0,50 metro entre linhas. O manejo nutricional incluiu adubação de base com fertilizante NPK e adubação nitrogenada em cobertura.
Os tratamentos avaliados consistiram na aplicação, diretamente no sulco de plantio, de diferentes manejos com inoculantes biológicos: área sem aplicação de inoculantes; aplicação de Azospirillum brasilense; aplicação de Pseudomonas fluorescens; aplicação conjunta das duas bactérias na dose comercial; e aplicação conjunta em meia dose. As aplicações foram realizadas no momento do plantio, por meio de jato dirigido no sulco.
Ao longo do ciclo da cultura, foi acompanhado o desenvolvimento geral das plantas. Ao final, foram avaliados os componentes de produção e a produtividade de grãos. A colheita foi realizada manualmente, no ponto adequado de umidade, visando preservar a qualidade dos grãos e reduzir perdas.
A produtividade foi expressa em sacas por hectare, permitindo comparação direta entre os diferentes manejos avaliados. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística para avaliar o comportamento produtivo dos tratamentos.
A análise estatística dos dados indicou que não houve diferença estatística significativa entre os tratamentos avaliados, considerando o nível de probabilidade adotado. Os componentes de produção e a produtividade final apresentaram comportamento semelhante entre os manejos, demonstrando estabilidade produtiva do milho nas condições do experimento.
Apesar da ausência de diferença estatística significativa, diferenças numéricas relevantes foram observadas entre os tratamentos.
O manejo com aplicação exclusiva de Pseudomonas fluorescens apresentou a maior produtividade média, atingindo aproximadamente 187 sacas por hectare, o equivalente a 11.220 kg por hectare.
Os tratamentos com aplicação de Azospirillum brasilense, isolado ou em associação com Pseudomonas fluorescens, apresentaram produtividades variando entre 168 e 184 sacas por hectare, enquanto a área sem aplicação de inoculantes apresentou a menor produtividade média.
Esses resultados indicam que o uso de microrganismos promotores de crescimento pode contribuir para ganhos produtivos consistentes, mesmo quando as diferenças não são estatisticamente significativas.
Do ponto de vista prático, diferenças numéricas dessa magnitude podem representar impacto econômico relevante ao produtor, especialmente quando consideradas em escala comercial.
A análise gráfica dos dados facilita a visualização do comportamento produtivo dos diferentes manejos avaliados. Os gráficos de produtividade, peso médio das espigas e número de espigas evidenciam a tendência de maior desempenho do tratamento com Pseudomonas fluorescens, além da sobreposição dos valores médios entre os tratamentos, o que está de acordo com os resultados da análise estatística.
A distribuição dos dados demonstra padrão relativamente uniforme, reforçando a estabilidade produtiva observada. Ainda assim, o tratamento com Pseudomonas fluorescens concentra os maiores valores médios de produtividade, indicando resposta positiva em condições reais de campo.
O histograma representa a distribuição de frequência dos dados de interesse, como a aplicação de bactérias em resposta a remineralização do P na produção do milho; já a curva de densidade suaviza e apresenta a distribuição do histograma, fornecendo uma visão contínua das probabilidades relativas. Ela ajuda a entender melhor a tendência central, a dispersão e a presença de possíveis assimetrias ou picos.
Observando a densidade dos gráficos apresentados na Figura 1, as respostas das aplicações de bactérias apresentaram modelos simétricos e convergiram para uma resposta que centralizou os dados em torno da média e do desvio-padrão. Reforçando esta resposta, Bashan et al. (2014) destacaram que a variabilidade na resposta à inoculação pode ser resultado de fatores como a compatibilidade entre a bactéria e a planta, a disponibilidade de nutrientes e as condições ambientais.
Os resultados obtidos em condições reais de campo indicam que a aplicação de Pseudomonas fluorescens no milho de segunda safra apresenta potencial para incrementar a produtividade e melhorar a eficiência no uso do fósforo. A aplicação no sulco de plantio mostrou-se simples, operacionalmente viável e compatível com a rotina das lavouras comerciais.
O uso de inoculantes biológicos não substitui a adubação convencional, mas pode atuar como ferramenta complementar no manejo nutricional da cultura. Avaliações adicionais em diferentes ambientes e safras podem contribuir para consolidar o uso dessa tecnologia no sistema produtivo do milho de segunda safra.
* Por Leonardo Monteiro Rocha, Emmanuel Zullo Godinho e Caetano Dartiere Zulian Fermino (Unisagrado)
Artigo publicado na edição 320 da Revista Cultivar Grandes Culturas
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