Distribuição de insumos responde por 20% do crédito no agro
Dados foram apresentados no 15º Congresso Andav, que debateu gestão de risco, tecnologia e mercado chinês em São Paulo
As exportações de café do Vietnã somaram 25,6 milhões de sacas entre outubro de 2025 e julho de 2026, alta de 20,3% em relação ao mesmo período da safra anterior e acima da média de 10 anos, de 23,5 milhões de sacas. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o desempenho reflete a recuperação da produção vietnamita após quatro temporadas de queda, além da demanda aquecida por robusta.
A Índia também ampliou sua presença no mercado internacional, com 5,7 milhões de sacas exportadas no acumulado da safra 2025/26, aumento de 11,6% na comparação anual. A Indonésia, por sua vez, embarcou 1,5 milhão de sacas entre abril e junho, recuo de 26,8% ante o mesmo intervalo de 2025/26, em razão do atraso inicial da colheita e dos estoques menores após as exportações elevadas do ciclo anterior.
Depois de três meses de retração, as exportações vietnamitas voltaram a crescer em julho e alcançaram 2,4 milhões de sacas, avanço de 16,9% em relação a junho. A avaliação da Hedgepoint é que a elevação dos preços desde o fim de junho possivelmente estimulou novas vendas, embora o país esteja na entressafra e muitos produtores ainda retenham o café remanescente.
Mesmo com a redução sazonal normalmente observada nos meses finais do ciclo, quando a oferta disponível diminui e a nova colheita se aproxima, a projeção é que os embarques do Vietnã totalizem 29,2 milhões de sacas em 2025/26, acima dos volumes registrados nas últimas safras. Compradores já começaram a formar posições para 2026/27, com embarques a partir de dezembro, mas a análise indica que poucos negócios podem ter sido efetivamente fechados até o momento.
Com a intensificação do El Niño nos próximos meses, as condições mais secas podem persistir e aumentar a dependência da irrigação na fase final de desenvolvimento dos cafezais. Diante desse quadro, a Hedgepoint reduziu marginalmente sua projeção de produção do Vietnã para 30,1 milhões de sacas. O aumento da área cultivada nos últimos anos, contudo, pode mitigar parte dos efeitos negativos do clima.
Para 2026/27, a estimativa inicial é de exportações de 28,5 milhões de sacas, ligeiramente abaixo da temporada anterior, com base na produção projetada e na sazonalidade dos últimos 10 anos. Os embarques ainda podem surpreender positivamente, como ocorreu em 2025/26, e devem permanecer em patamares superiores aos observados nos últimos anos.
De acordo com a Hedgepoint, os preços ainda elevados e a demanda crescente por robusta, favorecida pela arbitragem em relação ao arábica, podem manter as exportações indianas acima da média dos últimos anos. Para 2026/27, porém, um possível recuo da produção, associado aos efeitos negativos do El Niño sobre a temporada de monções, pode restringir os embarques na comparação com 2025/26.
Apesar da queda de 26,8% entre abril e junho, as exportações da Indonésia na safra 2026/27 permanecem acima da média de 10 anos. Com a colheita caminhando para o fim, a expectativa é que os embarques ganhem tração nos próximos meses.
A Hedgepoint projeta exportações totais de 8,6 milhões de sacas no ciclo, acima dos volumes dos últimos anos, mas abaixo dos 9,8 milhões de sacas embarcados em 2025/26. A redução acompanha a menor produção, penalizada por chuvas intensas durante as floradas, que derrubaram flores e limitaram o potencial produtivo.
A análise da Hedgepoint indica que a maior oferta e a demanda aquecida por robusta sustentaram o avanço das exportações do Vietnã em 2025/26. Para o próximo ciclo, os volumes devem continuar relativamente elevados, embora a intensificação do El Niño possa trazer condições mais secas e limitar parte do potencial produtivo.
Entre as demais origens asiáticas, a Índia deve continuar ampliando sua presença no mercado internacional, enquanto a Indonésia pode recuperar o ritmo dos embarques à medida que a colheita avança. A evolução das condições climáticas associadas ao El Niño permanece como fator central para as perspectivas de produção e exportação na região nas próximas temporadas.
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