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O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou julho em 1,35, queda de 5% em relação a junho de 2026. O resultado foi influenciado, principalmente, pela combinação entre a valorização das commodities agrícolas e a redução nos preços dos fertilizantes e matérias-primas, fatores que exerceram maior peso sobre o indicador. No câmbio, outro componente do índice, o cenário foi de estabilidade. O dólar encerrou o mês praticamente sem alterações, com leve recuo de 0,2% frente ao período anterior, o que limitou seu impacto sobre o IPCF.
Nas commodities agrícolas, houve alta média de cerca de 4%. A soja foi o principal destaque, com avanço de aproximadamente 7%, impulsionada pelas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, que aumentaram a volatilidade no mercado de petróleo. Também contribuíram para esse movimento as preocupações com as condições climáticas nos Estados Unidos e os dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que elevaram as incertezas em relação à safra americana. O milho teve valorização mais moderada, de cerca de 0,5%, diante dos bons resultados da safrinha brasileira, que já alcança aproximadamente 80% da área colhida. O algodão avançou cerca de 2%, enquanto a cana-de-açúcar permaneceu estável.
Do lado dos fertilizantes, os preços apresentaram queda média de cerca de 8% no mês. A retração foi puxada, sobretudo, pela redução de 30% da ureia e pela queda de 9% no preço do superfosfato simples. Por outro lado, os preços do MAP, fosfato monoamônico, e do MOP, cloreto de potássio, permaneceram estáveis.
Outo pronto importante a ser considerado é o impacto da redução da adubação fosfatada – que não pode ser generalizado, pois depende diretamente da fertilidade do solo e do histórico de manejo de cada área. Produtores que investiram na construção da fertilidade nos últimos anos estão mais protegidos no curto prazo, já que contam com uma reserva de fósforo no solo. Ainda assim, estudos técnicos analisados pela Mosaic indicam que, em cenários de ausência de aplicação de fósforo, as perdas de produtividade podem variar de aproximadamente 6% a 20%, com maior risco em áreas de baixa disponibilidade do nutriente. Esse cenário refere-se a condições de clima normal – em situações adversas esse impacto pode ser potencializado.
Por isso, a recomendação é que qualquer ajuste na adubação seja feito com base em análise de solo e orientação técnica, garantindo a reposição futura do fósforo e evitando impactos maiores nas próximas safras.
Para os próximos meses, alguns fatores seguem no radar e podem influenciar o comportamento do índice. Entre eles estão a evolução do conflito no Oriente Médio, especialmente pela relevância da região e do Estreito de Hormuz para o comércio global de insumos agrícolas, e as condições climáticas, com o El Niño ganhando força e podendo afetar o calendário de plantio da soja e de outras culturas relevantes. Esses elementos continuarão determinantes para a dinâmica dos preços das commodities, dos fertilizantes e, consequentemente, do IPCF.
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