Soja avança em MT e milho chega a 99% da colheita

Vendas da soja 2025/26 alcançam 93,06% da produção, enquanto colheita do milho atinge 99,10% da área no estado

13.08.2026 | 10:24 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

A comercialização da soja da safra 2025/26 avançou em Mato Grosso em julho, enquanto a colheita do milho da mesma temporada se aproximou da conclusão. Os dados fazem parte do acompanhamento semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

No caso da soja, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 93,06% da produção total estimada no estado em julho. O percentual representa avanço de 5,38 pontos percentuais em relação a junho e de 4,34 pontos percentuais na comparação com o mesmo período da safra anterior.

Segundo o Imea, o avanço foi favorecido pela valorização da oleaginosa. O preço médio da saca subiu R$ 6,18 no mês e encerrou julho em R$ 121,11. A alta está relacionada à menor disponibilidade de grãos durante o período de entressafra em Mato Grosso.

Para a safra 2026/27, a comercialização alcançou 30,23% da produção estimada, alta de 6,90 pontos percentuais ante junho. O ritmo está 7,74 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra 2025/26.

O desempenho das vendas antecipadas está associado à valorização dos preços futuros da soja, que estimulou os produtores a aproveitar oportunidades de comercialização. Conforme o instituto, o comportamento também reflete uma postura de maior cautela diante das incertezas relacionadas ao cenário econômico e às condições de mercado para a próxima temporada.

Demanda externa sustenta mercado

O mercado internacional também apresentou sinais de sustentação para a soja brasileira. De acordo com o Imea, o prêmio Santos encerrou a semana em média de US$ 1,68 por bushel, alta de 15,86% em relação à semana anterior, em meio ao aquecimento da demanda externa pelo produto brasileiro.

Já o farelo de soja recuou 0,55% no período, para R$ 1.665,87 por tonelada, pressionado pelo recuo dos preços do grão no mercado internacional.

No mercado de derivados, Mato Grosso exportou 317,55 mil toneladas de óleo de soja em julho, volume 166,16% superior ao registrado no mês anterior. O avanço foi impulsionado pela demanda externa aquecida pelo produto.

Apesar da desaceleração dos embarques em relação a junho, o Brasil registrou recorde nas exportações de soja para o mês de julho. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques somaram 13,40 milhões de toneladas, alta de 9,33% em relação a julho de 2025 e maior volume já registrado para o mês.

Na comparação mensal, porém, as exportações brasileiras recuaram 7,61%. O movimento é considerado típico do período após o forte ritmo observado no primeiro semestre.

Mato Grosso embarcou 3,49 milhões de toneladas em julho, queda de 25,85% ante junho e de 12,32% em relação ao mesmo mês do ano passado. A participação do estado nas exportações brasileiras recuou 6,43 pontos percentuais em um ano, reflexo da menor disponibilidade de grãos com o avanço da comercialização da safra 2025/26.

A China permaneceu como principal destino da soja brasileira, com 9,42 milhões de toneladas adquiridas em julho. O volume caiu 8,37% em relação a junho, mas representou 70,29% das exportações brasileiras no mês. Para o Imea, o desempenho mostra que, além da demanda chinesa, outros mercados também têm contribuído para sustentar os embarques da oleaginosa.

Milho entra na reta final da colheita

No milho, Mato Grosso está próximo de concluir a colheita da safra 2025/26. Até 7 de agosto, os trabalhos haviam alcançado 99,10% dos 7,43 milhões de hectares cultivados, avanço de 2,33 pontos percentuais em uma semana.

O ritmo está 0,38 ponto percentual à frente do registrado no mesmo período da safra anterior. As condições climáticas favoráveis permitiram maior avanço das operações no campo.

As regiões Médio-Norte, Nordeste, Noroeste, Norte e Oeste já haviam concluído a colheita até a data de referência. Centro-Sul e Sudeste ainda apresentavam áreas remanescentes, mas também permaneciam à frente do ciclo anterior.

O destaque ficou para o Sudeste, que avançou 8,57 pontos percentuais na semana, recuperou o atraso acumulado e passou a registrar ritmo 1,25 ponto percentual superior ao da safra passada.

A reta final dos trabalhos reforça as perspectivas de desempenho produtivo positivo para a safra 2025/26. Os resultados consolidados serão apresentados no próximo relatório de Oferta e Demanda do Imea.

Comercialização do milho ganha ritmo

A comercialização do milho da safra 2025/26 atingiu 64,29% da produção estimada em Mato Grosso em julho. O avanço foi de 13,69 pontos percentuais no mês e de 3,18 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior.

O Imea atribui o movimento aos preços mais atrativos do cereal. Mesmo diante de uma safra recorde, a crescente demanda das usinas de etanol absorveu parte significativa da produção e aumentou a competição no mercado interno, reduzindo a pressão exercida pela elevada oferta estadual.

Com isso, o preço médio da safra subiu 2,34% em julho, para R$ 44,06 por saca.

Para a safra 2026/27, as vendas alcançaram 10,62% da produção projetada, avanço mensal de 2,80 pontos percentuais. O percentual, entretanto, está 0,39 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

O ritmo mais lento das negociações antecipadas reflete a cautela dos produtores diante dos riscos climáticos associados ao El Niño e do aumento dos custos de produção. Esses fatores têm limitado o interesse em fixar vendas com maior antecedência.

Mesmo nesse cenário, as cotações permaneceram firmes. O preço médio da safra 2026/27 avançou 3,08% em julho, para R$ 46,12 por saca.

No mercado internacional, o milho negociado na CME Group encerrou a semana a US$ 4,41 por bushel, queda de 1,76%, em meio às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. No mercado físico, a referência Cepea Campinas recuou 0,44% na semana, para R$ 65,03 por saca, enquanto o contrato corrente na B3 caiu 1,65%, para R$ 68,56 por saca.

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