Distribuição de insumos responde por 20% do crédito no agro
Dados foram apresentados no 15º Congresso Andav, que debateu gestão de risco, tecnologia e mercado chinês em São Paulo
A comercialização da soja da safra 2025/26 avançou em Mato Grosso em julho, enquanto a colheita do milho da mesma temporada se aproximou da conclusão. Os dados fazem parte do acompanhamento semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
No caso da soja, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 93,06% da produção total estimada no estado em julho. O percentual representa avanço de 5,38 pontos percentuais em relação a junho e de 4,34 pontos percentuais na comparação com o mesmo período da safra anterior.
Segundo o Imea, o avanço foi favorecido pela valorização da oleaginosa. O preço médio da saca subiu R$ 6,18 no mês e encerrou julho em R$ 121,11. A alta está relacionada à menor disponibilidade de grãos durante o período de entressafra em Mato Grosso.
Para a safra 2026/27, a comercialização alcançou 30,23% da produção estimada, alta de 6,90 pontos percentuais ante junho. O ritmo está 7,74 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período da safra 2025/26.
O desempenho das vendas antecipadas está associado à valorização dos preços futuros da soja, que estimulou os produtores a aproveitar oportunidades de comercialização. Conforme o instituto, o comportamento também reflete uma postura de maior cautela diante das incertezas relacionadas ao cenário econômico e às condições de mercado para a próxima temporada.
O mercado internacional também apresentou sinais de sustentação para a soja brasileira. De acordo com o Imea, o prêmio Santos encerrou a semana em média de US$ 1,68 por bushel, alta de 15,86% em relação à semana anterior, em meio ao aquecimento da demanda externa pelo produto brasileiro.
Já o farelo de soja recuou 0,55% no período, para R$ 1.665,87 por tonelada, pressionado pelo recuo dos preços do grão no mercado internacional.
No mercado de derivados, Mato Grosso exportou 317,55 mil toneladas de óleo de soja em julho, volume 166,16% superior ao registrado no mês anterior. O avanço foi impulsionado pela demanda externa aquecida pelo produto.
Apesar da desaceleração dos embarques em relação a junho, o Brasil registrou recorde nas exportações de soja para o mês de julho. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques somaram 13,40 milhões de toneladas, alta de 9,33% em relação a julho de 2025 e maior volume já registrado para o mês.
Na comparação mensal, porém, as exportações brasileiras recuaram 7,61%. O movimento é considerado típico do período após o forte ritmo observado no primeiro semestre.
Mato Grosso embarcou 3,49 milhões de toneladas em julho, queda de 25,85% ante junho e de 12,32% em relação ao mesmo mês do ano passado. A participação do estado nas exportações brasileiras recuou 6,43 pontos percentuais em um ano, reflexo da menor disponibilidade de grãos com o avanço da comercialização da safra 2025/26.
A China permaneceu como principal destino da soja brasileira, com 9,42 milhões de toneladas adquiridas em julho. O volume caiu 8,37% em relação a junho, mas representou 70,29% das exportações brasileiras no mês. Para o Imea, o desempenho mostra que, além da demanda chinesa, outros mercados também têm contribuído para sustentar os embarques da oleaginosa.
No milho, Mato Grosso está próximo de concluir a colheita da safra 2025/26. Até 7 de agosto, os trabalhos haviam alcançado 99,10% dos 7,43 milhões de hectares cultivados, avanço de 2,33 pontos percentuais em uma semana.
O ritmo está 0,38 ponto percentual à frente do registrado no mesmo período da safra anterior. As condições climáticas favoráveis permitiram maior avanço das operações no campo.
As regiões Médio-Norte, Nordeste, Noroeste, Norte e Oeste já haviam concluído a colheita até a data de referência. Centro-Sul e Sudeste ainda apresentavam áreas remanescentes, mas também permaneciam à frente do ciclo anterior.
O destaque ficou para o Sudeste, que avançou 8,57 pontos percentuais na semana, recuperou o atraso acumulado e passou a registrar ritmo 1,25 ponto percentual superior ao da safra passada.
A reta final dos trabalhos reforça as perspectivas de desempenho produtivo positivo para a safra 2025/26. Os resultados consolidados serão apresentados no próximo relatório de Oferta e Demanda do Imea.
A comercialização do milho da safra 2025/26 atingiu 64,29% da produção estimada em Mato Grosso em julho. O avanço foi de 13,69 pontos percentuais no mês e de 3,18 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior.
O Imea atribui o movimento aos preços mais atrativos do cereal. Mesmo diante de uma safra recorde, a crescente demanda das usinas de etanol absorveu parte significativa da produção e aumentou a competição no mercado interno, reduzindo a pressão exercida pela elevada oferta estadual.
Com isso, o preço médio da safra subiu 2,34% em julho, para R$ 44,06 por saca.
Para a safra 2026/27, as vendas alcançaram 10,62% da produção projetada, avanço mensal de 2,80 pontos percentuais. O percentual, entretanto, está 0,39 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.
O ritmo mais lento das negociações antecipadas reflete a cautela dos produtores diante dos riscos climáticos associados ao El Niño e do aumento dos custos de produção. Esses fatores têm limitado o interesse em fixar vendas com maior antecedência.
Mesmo nesse cenário, as cotações permaneceram firmes. O preço médio da safra 2026/27 avançou 3,08% em julho, para R$ 46,12 por saca.
No mercado internacional, o milho negociado na CME Group encerrou a semana a US$ 4,41 por bushel, queda de 1,76%, em meio às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. No mercado físico, a referência Cepea Campinas recuou 0,44% na semana, para R$ 65,03 por saca, enquanto o contrato corrente na B3 caiu 1,65%, para R$ 68,56 por saca.
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