Soja ajusta vagens após dano reprodutivo simulado

Variedade com crescimento indeterminado ajusta-se após dano simulado de Helicoverpa zea

04.02.2026 | 10:39 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Frank Peairs, Colorado State University
Foto: Frank Peairs, Colorado State University

A soja apresenta capacidade de compensar danos causados por Helicoverpa zea quando a perda de tecido ocorre no início do ciclo reprodutivo. Essa compensação varia conforme o hábito de crescimento da cultivar. Variedades de crescimento indeterminado ajustam tipos de vagens e peso de sementes de forma distinta das determinadas. A conclusão resulta de experimento de campo conduzido na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, com simulação de dano entre os estádios R1 e R3.

O inseto Helicoverpa zea, conhecido como lagarta-da-espiga-do-milho, alimenta-se de folhas, flores e vagens da soja. O ataque aos órgãos reprodutivos pode reduzir componentes de rendimento. As recomendações de manejo no sudeste dos Estados Unidos baseiam-se, em grande parte, em cultivares determinadas. O estudo avaliou se cultivares indeterminadas, que mantêm crescimento vegetativo após o florescimento, compensam melhor esse tipo de dano.

Duas cultivares

Os pesquisadores compararam duas cultivares comerciais de soja, ambas do grupo de maturidade 5. Uma cultivar apresentava crescimento determinado. A outra, crescimento indeterminado. O experimento ocorreu em dois anos agrícolas, 2020 e 2022, em estação experimental de Rocky Mount. As parcelas receberam três tratamentos de remoção manual de flores e vagens pequenas: 0%, 50% e 100% do tecido reprodutivo.

A remoção simulou o ataque de Helicoverpa zea no período entre o início do florescimento e o começo da formação de vagens. Esse intervalo coincide com a preferência de oviposição da praga. Em cada parcela, dez plantas foram marcadas e submetidas ao tratamento. A colheita ocorreu após a maturidade fisiológica. Os pesquisadores avaliaram peso médio de sementes, número total de vagens por planta e distribuição de vagens com um, dois, três e quatro grãos.

Peso médio das sementes

O peso médio das sementes variou entre anos e hábitos de crescimento. Em 2020, plantas de crescimento indeterminado produziram sementes mais pesadas que as determinantes. Em 2022, essa diferença não apareceu. A porcentagem de remoção do tecido reprodutivo não alterou o peso médio das sementes de forma consistente nos dois anos.

O número total de vagens por planta respondeu à remoção parcial do tecido reprodutivo. Em média, o tratamento com 50% de remoção gerou mais vagens que os tratamentos sem remoção e com remoção total. Esse efeito ficou mais evidente em 2022. A remoção total reduziu componentes de rendimento, enquanto o dano moderado permitiu compensação.

Estratégias distintas

As cultivares apresentaram estratégias distintas de ajuste dos componentes de rendimento. Plantas de crescimento indeterminado produziram mais vagens com um grão e mais vagens com quatro grãos em determinadas condições. Já as plantas de crescimento determinado concentraram a compensação no aumento de vagens com três grãos. O número de vagens com dois grãos pouco variou entre tratamentos, anos ou hábitos de crescimento.

A remoção total do tecido reprodutivo entre R1 e R3 não impediu a formação de sementes até a colheita. Isso indica capacidade de compensação mesmo após perdas severas nesse período inicial. Ainda assim, a compensação não ocorreu de forma uniforme entre anos, o que aponta influência de condições ambientais.

Os autores testaram a hipótese de maior capacidade compensatória das cultivares indeterminadas. Os resultados não confirmaram essa hipótese de forma consistente. As diferenças observadas dependeram do componente de rendimento avaliado e do ano agrícola. O estudo utilizou apenas uma cultivar de cada hábito de crescimento, o que limita generalizações.

Os dados reforçam que a soja aborta naturalmente grande parte das flores. Por isso, a perda de flores no início do florescimento tende a causar menor impacto no rendimento final. A remoção de vagens em estádios mais avançados costuma gerar perdas maiores, conforme apontado por estudos anteriores citados pelos autores.

O trabalho não avaliou produtividade em nível de parcela, apenas componentes de rendimento em plantas individuais. Assim, sementes mais pesadas não indicam, isoladamente, aumento de produtividade. Os autores destacam a necessidade de novos estudos com mais cultivares, diferentes ambientes e mensuração direta de rendimento.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.cropro.2025.107325

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp