Resistência de Diabrotica virgifera reduz eficácia do refúgio no milho Bt

Estudo aponta herança não recessiva da resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 e custos de aptidão na praga

18.09.2026 | 14:20 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Andrii Kabai / iNaturalist - CC BY-NC 40
Foto: Andrii Kabai / iNaturalist - CC BY-NC 40

A resistência de Diabrotica virgifera virgifera ao milho Bt que expressa as proteínas Gpp34/Tpp35Ab1 é herdada de forma não recessiva. Segundo os autores, isso provavelmente reduz a capacidade da estratégia de refúgio de retardar a evolução da resistência e aumenta o risco de que ela ocorra. Pesquisadores da Iowa State University e do USDA-ARS avaliaram duas linhagens de laboratório, DBQ e WAT, derivadas de populações de campo com resistência evoluída e comparadas com uma linhagem suscetível de fundo genético semelhante.

Os valores de dominância genética (h) foram de 0,76 na DBQ e de 0,72 na WAT. Em ambas as linhagens, os heterozigotos sobreviveram no milho Bt significativamente mais que os suscetíveis, embora menos que no milho não Bt. A WAT apresentou resistência completa, sem diferença significativa de sobrevivência entre milho Bt e não Bt, enquanto a DBQ apresentou resistência incompleta. As razões de resistência foram de 124 para a WAT e de 38 para a DBQ.

O trabalho também identificou custos de aptidão associados à resistência, medidos em milho não Bt e em indivíduos homozigotos resistentes. Os percentuais abaixo são reduções relativas em comparação com a linhagem suscetível. Na DBQ, as fêmeas produziram 44,4% menos ovos viáveis (efeito significativo, mas de margem estreita: P = 0,044 em teste unicaudal), e nenhum outro custo foi detectado.

Na WAT, a sobrevivência até a fase adulta foi 17,1% menor, o desenvolvimento durou 2,81% mais e a largura da cápsula cefálica (indicador de tamanho corporal) foi 0,81% menor. Esses custos podem contrabalançar em parte o efeito da herança não recessiva, ao selecionar contra os alelos de resistência na ausência de pressão do milho Bt. Os autores ressalvam, porém, que os custos, sozinhos, podem não garantir um atraso duradouro da resistência sem refúgios maiores e manejo integrado.

Para reduzir o risco de evolução da resistência, os autores apontam refúgios maiores e abordagens de manejo mais diversificadas. Em locais onde a resistência a Gpp34/Tpp35Ab1 ainda não está amplamente disseminada, a rotação de culturas e o plantio de milho não Bt também podem aumentar a proporção de insetos suscetíveis na população e retardar a evolução da resistência (doi 10.1002/ps.71301).

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