PR Safra 2025/26: área com trigo cai 11% no Paraná

Plantio da cultura foi concluído em todas as regiões e totalizou 727,5 mil hectares

30.07.2026 | 16:47 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral

A semeadura do trigo foi concluída em todas as regiões do Paraná, totalizando 727,5 mil hectares. De acordo com o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a área é 11% menor que a registrada na safra anterior.

O coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho, explica que a redução da área deve resultar em uma safra menor. A projeção de julho aponta produção de 2,38 milhões de toneladas, abaixo das 2,88 milhões colhidas em 2025. “Para que o número se confirme, o clima precisa continuar colaborando, como ocorreu até agora”, avalia.

Apesar da retração na área cultivada, as lavouras apresentam o melhor desempenho dos últimos dez anos. Atualmente, 97% da área está classificada em boas condições e os 3% restantes em condição média, sem registro de áreas consideradas ruins.

Ainda assim, o cenário exige atenção diante da elevada probabilidade (81%) de o El Niño atingir intensidade muito forte nos próximos meses. Até o momento, os efeitos sobre a triticultura paranaense têm sido moderados, com o excesso de chuvas dificultando principalmente o manejo sanitário em algumas áreas do Sudoeste do Estado.

A menor área plantada, somada às incertezas climáticas, tem sustentado a alta dos preços do trigo. Em julho, as cotações recebidas pelos produtores devem registrar o quinto mês consecutivo de valorização, superando R$ 70,00 por saca pela primeira vez após nove meses abaixo desse patamar. Ainda assim, a média mensal deverá permanecer inferior aos R$ 76,97 por saca registrados em julho de 2025.

Ajustes na safra de milho

O Deral também revisou as estimativas para a segunda safra de milho 2025/26, com ajustes tanto na área cultivada quanto na produção. Segundo o analista de mercado Edmar Wardensk Gervasio, a estimativa atual indica o plantio de 2,9 milhões de hectares, alta de 2,4% em relação ao ciclo anterior.

A expectativa de produção foi revisada para 17,05 milhões de toneladas, abaixo da projeção inicial de 17,83 milhões. Segundo o Deral, a redução decorre principalmente de um período de estiagem durante o desenvolvimento das lavouras, que comprometeu o potencial produtivo.

Em menor intensidade, geadas pontuais também afetaram o desempenho da safra. No campo, a colheita avançou para 38% da área cultivada. Em comparação com as duas últimas safras, o ritmo permanece mais lento, reflexo do plantio mais tardio em algumas regiões, o que atrasou o ciclo da cultura.

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