FMC registra queda de 17% nas vendas

Companhia reduz projeções para 2026 após queda de receita no trimestre

29.07.2026 | 17:58 (UTC -3)
Revista Cultivar

A FMC Corporation registrou receita de US$ 867 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17% ante o mesmo período de 2025. Sem a operação comercial da Índia, a receita somou US$ 841 milhões, com retração de 20%. O resultado levou a companhia a reduzir as projeções de receita, EBITDA ajustado e lucro por ação para o ano.

A empresa apurou prejuízo líquido de US$ 187 milhões no trimestre. Um ano antes, havia registrado lucro líquido de US$ 67 milhões. O resultado por ação ficou negativo em US$ 1,49. O lucro ajustado por ação alcançou US$ 0,26, queda de 62%.

O EBITDA ajustado somou US$ 153 milhões, redução de 26% na comparação anual. A margem sobre a receita sem a Índia atingiu 18,1%, ante 19,7% no segundo trimestre de 2025.

Redução das encomendas

A retração decorreu, sobretudo, da redução das encomendas de parceiros comerciais de diamidas e da menor demanda por produtos tradicionais. A pressão sobre as margens dos agricultores afetou o mercado da América do Norte. O volume recuou 10%, enquanto os preços caíram 7%. O câmbio contribuiu com dois pontos percentuais para a receita.

O portfólio de crescimento avançou em ritmo de um dígito médio. O desempenho recebeu apoio de novos ingredientes ativos e de produtos com Cyazypyr. As vendas de produtos de marca com Rynaxypyr permaneceram próximas ao nível do ano anterior, sem considerar a Índia. Novas formulações sustentaram a demanda.

Realidades regionais

A América Latina gerou receita de US$ 278 milhões, queda de 10%. Sem o efeito cambial, o recuo chegou a 16%. A região apresentou a maior pressão sobre preços entre os mercados atendidos pela companhia. O Brasil, porém, registrou crescimento do volume de produtos de marca.

Na América do Norte, a receita caiu 22% e somou US$ 249 milhões. A FMC atribuiu o resultado à concorrência e às margens restritas dos produtores.

A região formada por Europa, Oriente Médio e África faturou US$ 214 milhões, queda de 18%. Perdas previstas de registros e temperaturas elevadas afetaram os volumes.

Na Ásia, excluída a operação indiana de 2026, a receita alcançou US$ 101 milhões. O valor representou queda de 37% frente ao período anterior, ainda influenciado pela contribuição da Índia em 2025. Em base comparável, as vendas asiáticas recuaram 6%. Austrália e Nova Zelândia apresentaram crescimento.

Geração de caixa

A geração de caixa apresentou evolução. O caixa proveniente das operações atingiu US$ 363 milhões, aumento de US$ 297 milhões. O fluxo de caixa livre somou US$ 357 milhões, ante US$ 40 milhões no segundo trimestre de 2025. O resultado incluiu pagamento inicial de US$ 200 milhões ligado ao licenciamento do ingrediente ativo rimisoxafen.

Receita anual

A FMC passou a projetar receita anual, sem a Índia, entre US$ 3,50 bilhões e US$ 3,70 bilhões. O ponto médio indica queda de 7% frente a 2025. Sem a contribuição indiana do ano anterior, a redução alcançaria 5%.

A companhia prevê EBITDA ajustado entre US$ 620 milhões e US$ 680 milhões, com queda de 23% no ponto médio. A estimativa para o lucro ajustado por ação passou para uma faixa de US$ 1,19 a US$ 1,49. A projeção indica retração de 55%.

A nova orientação considera preços menores em patamar de um dígito médio a alto. A FMC espera volume estável, sem a Índia. O crescimento de novos ingredientes ativos, a ampliação das vendas diretas no Brasil e o avanço comercial na América Latina e na região formada por Europa, Oriente Médio e África devem compensar a redução das encomendas de parceiros de diamidas.

Para o terceiro trimestre, a companhia projeta receita entre US$ 840 milhões e US$ 900 milhões, sem a Índia. O ponto médio representa queda de 9%. Distribuidores norte-americanos devem transferir pedidos para o quarto trimestre, com o objetivo de aproximar as compras do período de aplicação e controlar estoques.

Recuperação no quarto trimestre

A FMC prevê recuperação no quarto trimestre. A receita deve variar entre US$ 1,06 bilhão e US$ 1,20 bilhão, com crescimento de 4% no ponto médio. A projeção considera maior venda direta aos agricultores brasileiros, avanço de novos ingredientes ativos e retomada dos pedidos dos distribuidores da América do Norte.

A empresa também manteve o plano de obter cerca de US$ 1 bilhão para reduzir dívidas. As ações incluem a venda da operação comercial da Índia por US$ 252 milhões, o licenciamento do rimisoxafen por US$ 200 milhões, uma operação de venda e posterior locação de imóvel em Newark por US$ 114 milhões e um investimento de US$ 400 milhões do Tessenderlo Group. Parte das transações depende de condições de fechamento e aprovações regulatórias.

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