Pesquisa desenvolve abacaxis mais produtivos em MT

Novas cultivares têm resistência à fusariose e melhor equilíbrio entre doçura e acidez

09.04.2026 | 14:28 (UTC -3)
Widson Ovando, edição Revista Cultivar

Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso desenvolveram duas novas cultivares de abacaxi adaptadas às condições de cultivo em Mato Grosso, com foco em resistência a doenças, melhoria no manejo e maior viabilidade produtiva. O trabalho, conduzido ao longo de mais de uma década, resultou no lançamento das variedades Unemat Esmeralda e Unemat Rubi, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso.

A iniciativa integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (CPeda) e do programa MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias no campo.

O Brasil figura entre os principais produtores mundiais de abacaxi, com forte presença no consumo in natura e potencial de exportação. No entanto, a cultura enfrenta desafios fitossanitários relevantes, especialmente a fusariose do abacaxizeiro, provocada pelo fungo Fusarium guttiforme, que pode causar perdas expressivas e comprometer diferentes fases do desenvolvimento das plantas.

Plantio recomendado é ficar entre 30.000 a 40.000 plantas por hectare
Plantio recomendado é ficar entre 30.000 a 40.000 plantas por hectare

Diante desse cenário, o melhoramento genético tem sido uma estratégia central para reduzir perdas e a dependência de controle químico. Desde 2012, os pesquisadores implantaram um Banco Ativo de Germoplasma (BAG), reunindo diferentes materiais para avaliação. O processo incluiu testes de resistência à doença, caracterização agronômica, cruzamentos controlados e seleção de clones com base em métodos estatísticos.

O resultado foi o lançamento, em 2024, das duas cultivares, que apresentam características agronômicas e de qualidade bem definidas. A Unemat Rubi possui formato cilíndrico, polpa amarela, massa média de 1,6 kg e teor de sólidos solúveis de 13 °Brix. Já a Unemat Esmeralda alcança massa média de 2,1 kg e 13,9 °Brix, indicando maior potencial de doçura. Ambas apresentam acidez titulável de 0,6% e relação açúcar/acidez superior a 20, o que garante equilíbrio entre doçura e acidez, característica valorizada para consumo in natura.

Outro diferencial é a ausência de espinhos nas folhas, o que facilita operações de manejo, como tratos culturais e colheita, reduzindo riscos de acidentes e aumentando a eficiência no campo. As cultivares também apresentam porte ereto e bom desenvolvimento vegetativo, com altura superior a um metro.

No manejo, recomenda-se o uso de mudas tipo filhote, previamente classificadas e submetidas à cura ao sol, com plantio em sulcos ou covas e densidade entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare. A adubação deve ser orientada por análise de solo, com aplicações mensais de cobertura, além de controle de plantas daninhas e irrigação entre 60 e 150 mm por mês.

A resistência à fusariose é apontada como um dos principais avanços das novas cultivares, podendo reduzir significativamente perdas — que, em casos severos, podem chegar a até 80% da produção — e diminuir a necessidade de defensivos químicos.

Segundo o coordenador do projeto, o desenvolvimento das cultivares representa uma alternativa tecnológica ao produtor, ao reunir resistência genética, maior padronização da produção e redução de custos, além de reforçar o papel da pesquisa pública no avanço da agricultura no estado.

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