Caruru desafia manejo da soja e vira tema de debate

Embrapa discute impactos técnicos e comerciais em painel na Expo Londrina

08.04.2026 | 15:55 (UTC -3)
Lebna Landgraf
Foto: Rafael Romero Mendes
Foto: Rafael Romero Mendes

Aspectos técnicos e comerciais relacionados à dificuldade de manejo da planta daninha caruru-roxo (Amaranthus hybridus) na cultura da soja irão permear o painel sobre Plantas daninhas de difícil controle - desafios no manejo, no dia 13 de abril, das 10h30 às 12h, no auditório do Pavilhão SmartAgro, da Expo Londrina, realizada em Londrina (PR).  

Promovido pela Embrapa Soja, com a participação de representantes das cooperativas Cocamar, Coamo e Integrada, o painel pretende debater os principais problemas enfrentados pelos produtores, na safra passada, no que diz respeito ao manejo de plantas daninhas na cultura.

Desafios no manejo  

O pesquisador da Embrapa Soja Rafael Romero Mendes irá conduzir o debate contextualizando a temática. Segundo ele, há cerca de quatro safras a infestação de caruru aumentou significativamente no Rio Grande do Sul, porém, na safra passada, a dificuldade de manejar a planta daninha deixou em alerta também produtores de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Há algumas espécies de caruru, no entanto, as principais apresentam características de agressividade semelhantes entre elas. De forma geral, o caruru costuma ter crescimento rápido e agressivo, tem sementes pequenas, facilidade de dispersão e alta capacidade de germinação.

De acordo com Mendes, o aumento de áreas infestadas vem ocorrendo pela resistência da planta daninha a alguns herbicidas e, principalmente, pela disseminação das sementes via maquinário. “Por isso, indicamos como manejo preventivo, por exemplo, limpar o maquinário que é uma ação simples e que pode reduzir a disseminação de sementes. Outra medida válida é manter o solo sempre com palhada para reduzir a germinação do caruru”, indica Mendes.

Para o pesquisador, também é alternativa de manejo o uso de cultivares com as novas biotecnologias. E, quando se trata de uso de químicos, segundo ele, existem opções de herbicidas para serem usados em pré-emergência da soja para impedir a germinação das plantas daninhas. “A indicação de uso vai depender se a própria área ou áreas vizinhas apresentarem as plantas de caruru. Em caso de resistência a glifosato, o uso de pré-emergentes é indispensável”, explica.

Uso de pré-emergentes 

O aumento no uso de herbicidas pré-emergentes no controle de plantas daninhas, como o caruru (Amaranthus hybridus), tem ocorrido nas últimas safras, mas a prática exige cuidados específicos e pode trazer riscos à cultura da soja, se não for bem manejada. Mendes diz que os pré-emergentes são recomendados por sua eficiência em impedir a germinação de plantas daninhas logo após o plantio.

No entanto, cada produto possui especificidades, além de apresentar efeitos distintos, conforme o tipo de solo, as condições climáticas e a cultivar de soja utilizada. “Um dos principais pontos de atenção é o risco de fitotoxicidade — ou seja, danos que o herbicida pode causar à própria cultura”, alerta. “Embora os herbicidas sejam desenvolvidos para não afetar a soja, resíduos do produto no solo podem provocar sintomas como injúrias nas plantas, emergência irregular e falhas no estande”, avalia.

Impurezas nos lotes de soja 

Além dos desafios agronômicos, outro tema que ganha destaque são os casos de cargas de soja brasileira rejeitadas por compradores internacionais, como a China, devido à presença de sementes de plantas daninhas, incluindo o caruru. “Mesmo dentro de níveis considerados aceitáveis, algumas cargas foram recusadas, evidenciando o rigor comercial e o poder de decisão dos importadores”, diz Mendes.

Esse cenário reacendeu o debate sobre a importância do manejo eficiente de plantas daninhas ao longo de todo o ciclo da cultura. “Não há soluções isoladas, mas o controle deve ser bem executado desde o início, evitando que plantas invasoras completem seu ciclo e produzam sementes que possam contaminar a colheita”, orienta.

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