Percevejo reduz qualidade do feijão no enchimento de grãos

Estudo aponta janela crítica entre 16 e 24 dias após florescimento, com queda no padrão comercial

09.04.2026 | 07:05 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Claudio Bezerra Melo
Foto: Claudio Bezerra Melo

O percevejo-marrom (Euschistus heros) compromete a qualidade do feijão comum durante o enchimento de grãos. Pesquisa conduzida no Paraná identificou intervalo crítico entre 16 e 24 dias após o florescimento. Nesse período, ocorre aumento de grãos com puncturas e rebaixamento do tipo comercial. A produtividade não sofre redução na densidade avaliada.

O trabalho avaliou três cultivares: IPR Curió, IPR Sabiá e IPR Urutau. A infestação utilizou 0,5 inseto por planta durante oito dias, em diferentes estádios fenológicos. Os autores não observaram efeito sobre peso de grãos comerciais nem sobre aborto de estruturas reprodutivas na maioria dos tratamentos. Exceção ocorreu na IPR Curió durante a floração, com dano qualitativo relevante.

Fase de enchimento

A fase de enchimento concentrou os maiores prejuízos. Na IPR Curió, infestação aos 16 e 24 dias após florescimento elevou a porcentagem de grãos com puncturas para valores próximos de 4% a 5%. Esse nível levou à classificação Tipo 2. Situação similar ocorreu na IPR Sabiá aos 24 dias e na IPR Urutau aos 16 dias. Fora dessa janela, a classificação manteve padrão Tipo 1.

O estudo mostra tolerância quantitativa da cultura na densidade testada. Plantas mantêm produção por meio de mecanismos compensatórios. Parte dos grãos não atacados aumenta tamanho e massa. Mesmo assim, o dano visual reduz valor de mercado. Grãos com puncturas perdem brilho, uniformidade e padrão exigido pelo comércio.

Defeitos leves

Na classificação oficial, defeitos leves acima de 2,5% já deslocam o lote para Tipo 2. Esse rebaixamento reduz preço e limita destinos comerciais. A presença de injúrias também pode afetar armazenamento, com maior fermentação e acidez ao longo do tempo.

A suscetibilidade varia entre cultivares. IPR Curió apresentou maior sensibilidade, com rebaixamento em dois momentos distintos. IPR Sabiá e IPR Urutau registraram impacto mais restrito. Diferenças de hábito de crescimento e ciclo ajudam a explicar a resposta ao ataque.

Momento da infestação

O momento da infestação define o tipo de dano. Ataques precoces podem induzir aborto de flores e vagens. Ataques no enchimento geram deformações e puncturas. Em maturidade fisiológica, o inseto causa apenas danos superficiais. Nessa fase, o grão apresenta menor atratividade alimentar.

Os resultados indicam prioridade para proteção do feijoeiro no meio do período reprodutivo. O manejo integrado deve intensificar monitoramento entre 16 e 24 dias após florescimento. Decisões de controle nessa janela ajudam a preservar padrão comercial.

A pesquisa também alerta para migração do percevejo a partir da soja. Áreas com sucessão de culturas favorecem presença contínua do inseto. Sistemas com até três safras de feijão por ano ampliam risco de dano qualitativo.

O trabalho foi conduzido por Bruna Teixeira Baixo, Adriano Thibes Hoshino, Luciano Mendes de Oliveira, Millena dos Santos Rodrigues, Helter Carlos Pereira, Ayres de Oliveira Menezes Junior e Humberto Godoy Androcioli.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17040404

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