Parasitoides de ovos são registrados em mandioca

Pesquisa amplia a distribuição de Trichogramma marandobai e relata Trichogramma pretiosum na cultura na região

02.07.2026 | 08:46 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Trichogramma sp - Foto: Victor Fursov - CC BY-SA 4.0
Trichogramma sp - Foto: Victor Fursov - CC BY-SA 4.0

Pesquisadores registraram pela primeira vez a ocorrência de Trichogramma marandobai e Trichogramma pretiosum em lavouras de mandioca no Distrito Federal. As duas espécies pertencem à família Trichogrammatidae e parasitam ovos de insetos. O estudo ocorreu em área experimental da Embrapa Cerrados, em Planaltina, entre agosto de 2023 e julho de 2024 (DOI 10.37486/2675-1305.ec08020).

O registro amplia a distribuição geográfica conhecida de Trichogramma marandobai no Centro-Oeste. Também documenta a primeira associação de Trichogramma pretiosum com a cultura da mandioca nessa região. Os dados apoiam atualizações no Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil e fornecem base para programas de controle biológico em agroecossistemas de mandioca.

Principais problemas

Entre os principais problemas fitossanitários da cultura da mandioca aparece o mandarová-da-mandioca, Erinnyis ello. A praga apresenta elevada capacidade de consumo foliar e pode provocar desfolha severa e perdas de produtividade.

O inseto também possui alta capacidade de voo, comportamento migratório e adaptação a diferentes condições climáticas. Esses fatores favorecem sua ampla distribuição no continente americano. Infestações podem surgir de forma repentina após a migração de indivíduos vindos de áreas vizinhas.

Parasitoides de ovos

O gênero Trichogramma reúne parasitoides de ovos usados em programas de controle biológico de lepidópteros-praga. Cerca de 240 espécies do gênero já receberam descrição no mundo. No Brasil, ocorrem 30 espécies, distribuídas por todas as regiões do país.

Em agroecossistemas de mandioca, espécies de Trichogramma já tinham registro como parasitoides de ovos de Erinnyis ello. Trichogramma manicobai aparece em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Paraná. Trichogramma marandobai tinha registro em Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Pará. Até o estudo, não havia registros de espécies de Trichogramma associadas a Erinnyis ello em lavouras de mandioca no Distrito Federal.

Coletas quinzenais

As coletas ocorreram quinzenalmente em lavoura experimental da Embrapa Cerrados, em Planaltina. A equipe usou rede de varredura sobre a parte aérea das plantas. Cada amostragem teve quatro repetições, com 60 movimentos de varredura por repetição. Os insetos coletados foram conservados em etanol a 70 por cento e levados ao Laboratório de Entomologia da Embrapa Cerrados.

No laboratório, os parasitoides foram separados por morfotipo, contados e sexados. A identificação ocorreu apenas com machos, devido à presença de estruturas taxonômicas diagnósticas. Os pesquisadores montaram os espécimes em lâminas com meio de Hoyer. Depois, examinaram cápsula genital, asas e antenas em microscópio.

A equipe coletou 105 espécimes. O total incluiu 97 fêmeas e oito machos. Entre os machos, sete foram identificados como Trichogramma marandobai e um como Trichogramma pretiosum. Trichogramma marandobai ocorreu entre março e abril de 2024. Esse período coincidiu com a ocorrência de Erinnyis ello no campo, segundo o estudo.

Os pesquisadores identificaram Trichogramma marandobai por caracteres da genitália masculina. Entre eles constam processo intervolselar longo e distinto, carena ventral sem ultrapassar metade da cápsula genital e lâmina dorsal com extensão posterior estreita e arredondada. Trichogramma pretiosum apresentou processo intervolselar longo e pontiagudo, carena ventral curta, lâmina dorsal alongada, processos ventrais próximos à base do processo intervolselar e setas flageliformes longas.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Suzana A. de Oliveira, Michely F. S. de Aquino, Marisa L. de Brito, Charles M. de Oliveira e Ranyse B. Querino.

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