Mercado Agrícola - 3.nov.2026

Colheita americana pressiona soja e milho em Chicago; plantio avança no plantio no Brasil

03.11.2026 | 16:13 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional de commodities enfrenta uma semana de instabilidade, marcada pelas eleições nos Estados Unidos. A incerteza sobre os rumos da economia americana pressiona os preços agrícolas, minerais e energéticos. A colheita acelerada da soja nos Estados Unidos reforça o movimento de baixa em Chicago. No Brasil, o dólar valorizado favorece as cotações nos portos e abre oportunidades para exportadores. Milho, arroz e feijão apresentam fundamentos positivos para os próximos meses.

Situação da soja

A colheita americana alcançou 88% da área, contra 79% na semana anterior e 84% da média histórica. Illinois chegou a 91%, acima dos 85% habituais. O avanço da colheita e a entrega dos contratos pressionam Chicago. Historicamente, esse movimento persiste até o final de novembro. Depois do feriado de Ação de Graças, o mercado passa a acompanhar com maior atenção as lavouras sul-americanas.

As cotações tentam sustentar o patamar de US$ 12 por bushel, após operações abaixo desse nível no contrato novembro. As posições oscilam entre US$ 12 e US$ 12,50, distantes dos valores superiores a US$ 13,50 registrados anteriormente.

No Brasil, a comercialização da safra atual atingiu 82,6%, abaixo dos 84,5% do ano passado e dos 84,4% da média. Restam 31,4 milhões de toneladas disponíveis. A produção alcançou 180,5 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ciclo anterior.

Na safra nova, as vendas antecipadas chegaram a 39,9%, equivalentes a 73,8 milhões de toneladas. O volume supera em 1,2 milhão de toneladas o registrado no mesmo período do ano passado.

Nos portos, as cotações voltaram a superar R$ 160 por saca, com referências próximas de R$ 162 para novembro e dezembro. A valorização do dólar sustenta os preços.

O plantio brasileiro chegou a 63%, contra 52% no ano anterior e 55% da média. Mato Grosso lidera com 83%, seguido por Paraná e Rondônia, ambos com 75%. Mato Grosso do Sul registra 70%, Goiás 65% e Rio Grande do Sul 18%. A área semeada alcança 31,5 milhões de hectares, ante 25,5 milhões no ciclo anterior. A expectativa aponta para aproximadamente 50 milhões de hectares.

Situação do milho

O milho também enfrenta pressão em Chicago. Os contratos de dezembro tentam sustentar o suporte próximo de 440 centavos de dólar por bushel. As posições mais longas de 2027 aproximam-se de US$ 5, sinalizando fundamentos positivos no longo prazo.

As projeções do Banco Mundial indicam valorização do milho de US$ 211 para US$ 223 e, posteriormente, US$ 235 por tonelada. Para a soja, os valores projetados avançam de US$ 441 para US$ 489 e US$ 515 por tonelada ao longo de 2027.

No Brasil, o plantio da primeira safra de milho alcançou 94%, contra 88% no ano passado e 86% da média. A área deve superar 4,5 milhões de hectares.

A oferta disponível permanece elevada. Cerca de 63 milhões de toneladas das três safras ainda aguardam comercialização, ante 50 milhões no mesmo período anterior. Apesar desse volume, o dólar valorizado favorece as exportações. A demanda interna por ração e etanol também apresenta potencial de recorde, ampliando a sustentação dos preços.

Situação do trigo

O trigo tenta manter as cotações acima de US$ 6 por bushel em Chicago, no contrato dezembro. Nos Estados Unidos, o plantio alcançou 83%, contra 76% na semana anterior e 84% da média.

No Brasil, a colheita aproxima-se de 50% no Rio Grande do Sul. Os produtores aceleram os trabalhos diante da previsão de novas chuvas. O Paraná já colheu aproximadamente 90% da área.

O mercado registra acomodação nas cotações, com negócios entre R$ 1.480 e R$ 1.490 por tonelada no Rio Grande do Sul e entre R$ 1.560 e R$ 1.570 no Paraná. No balcão, os preços variam de R$ 79 a R$ 87 por saca. Os moinhos mantêm compras pontuais, apenas para atender às necessidades imediatas.

Situação do arroz

O plantio brasileiro de arroz alcançou 75%, acima dos 70% registrados no ano passado e na média histórica. No Rio Grande do Sul, a semeadura também chegou a 75%, com algumas regiões próximas de 85%. Santa Catarina aproxima-se da conclusão dos trabalhos. Tocantins deve acelerar o plantio nas próximas semanas.

O mercado acompanha novas oportunidades de exportação, favorecidas pelo dólar valorizado e pela alta das cotações internacionais. Na fronteira gaúcha, os produtores buscam valores superiores aos atuais R$ 80 a R$ 81 por saca. Indicativos apontam potencial acima de R$ 93 no porto de Rio Grande.

Os embarques brasileiros aproximam-se de 1,8 milhão de toneladas acumuladas em equivalente casca. O mercado aguarda os dados consolidados de outubro para avaliar o avanço das exportações.

Situação do feijão

O mercado do feijão apresenta perspectiva de valorização diante da oferta reduzida. As primeiras colheitas paulistas enfrentaram problemas climáticos, com perdas de qualidade e produtividade. No Paraná, a área plantada também diminuiu.

O feijão-carioca de qualidade superior, nota 9 ou acima, varia de R$ 305 a R$ 320 por saca em Goiás e Minas Gerais, com referências pontuais de R$ 325. Em São Paulo, as indicações alcançam R$ 335 a R$ 350, com comentários de até R$ 355.

O feijão comercial registra referências entre R$ 290 e R$ 310 em diferentes praças, com indicações superiores em Minas Gerais e Bahia. Em São Paulo, os valores chegam à faixa de R$ 325 a R$ 340 por saca.

A primeira safra pequena deve provocar restrição de oferta até o primeiro trimestre de 2027. Novos plantios ganharão espaço somente a partir de fevereiro.

O feijão-preto também avança. No Paraná e em Santa Catarina, o produto tipo 1 de qualidade superior apresenta indicações entre R$ 280 e R$ 290 por saca. Vendedores já pedem R$ 300, patamar que ganha força como próxima referência do mercado.

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