Estudo americano indica menor custo de produção de soja no Brasil

Pesquisa aponta menor custo total no país, apesar dos maiores gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas

02.11.2026 | 16:26 (UTC -3)

O custo de produção de soja no Brasil ficou 32,5% abaixo do registrado nos Estados Unidos entre 2020 e 2024. Os agricultores brasileiros gastaram, em média, US$ 416 por acre, ante US$ 616 nos Estados Unidos. A diferença decorre principalmente dos custos com terra. Em contrapartida, produtores brasileiros enfrentaram despesas maiores com fertilizantes e defensivos agrícolas.

O levantamento, publicado no farmdoc daily, da Universidade de Illinois, analisou nove propriedades representativas. Quatro ficam no Brasil, sendo três em Mato Grosso e uma no Paraná. Outras cinco ficam nos Estados Unidos: duas em Indiana e uma em cada um dos estados de Iowa, Dakota do Norte e Ohio. A pesquisa utilizou dados da rede Agri Benchmark. Em uma das propriedades de Mato Grosso e na de Ohio, os dados cobrem quatro dos cinco anos analisados.

Três grupos de custos

O estudo divide os custos em três grupos: diretos, operacionais e indiretos. Os custos diretos, que incluem sementes, fertilizantes e defensivos, alcançaram US$ 218 por acre no Brasil e US$ 200 nos Estados Unidos. Já as despesas indiretas, que reúnem terra, instalações e outros gastos, somaram US$ 97 e US$ 251 por acre, respectivamente. Os custos operacionais completam a conta e abrangem máquinas, mão de obra, combustível e serviços terceirizados.

Os fertilizantes representaram uma diferença importante. Agricultores brasileiros gastaram US$ 85 por acre, contra US$ 57 dos norte-americanos. A necessidade de correção dos solos e a dependência de importações explicam parte da diferença. O Brasil importa aproximadamente 72% dos fertilizantes fosfatados e 96% dos potássicos.

Com defensivos agrícolas, os gastos chegaram a US$ 81 por acre no Brasil e US$ 56 nos Estados Unidos. A maior pressão de insetos e doenças nas regiões tropicais contribuiu para elevar as despesas brasileiras. A comparação tem uma ressalva: as propriedades norte-americanas da amostra registraram apenas gastos com herbicidas. Nos Estados Unidos, cerca de uma em cada cinco áreas de soja recebe fungicida, e proporção semelhante recebe inseticida.

Comportamento inverso

As sementes apresentaram comportamento inverso. Os produtores norte-americanos gastaram US$ 66 por acre, ante US$ 43 dos brasileiros. O estudo atribui a diferença, entre outros fatores, ao maior número de características genéticas combinadas nas sementes utilizadas nos Estados Unidos. Além disso, o Brasil produz as próprias sementes, o que reduz a exposição a preços de importação cotados em dólar. Os agricultores brasileiros, sobretudo os menores, também podem guardar sementes para replantio, mediante pagamento de royalties sobre as tecnologias patenteadas. Nos Estados Unidos, a prática é proibida para sementes transgênicas patenteadas.

Entre 2020 e 2024, o custo das sementes no Brasil passou de US$ 27 para US$ 58 por acre. Nos Estados Unidos, avançou de US$ 62 para US$ 70.

Em 2023, quando os preços dos insumos atingiram o pico no Brasil, a diferença no custo total de produção entre os países caiu para US$ 71 por acre. Nos demais anos, a vantagem brasileira superou US$ 200 por acre.

O trabalho é assinado por Julio Bellodi Cortarelli e Grant Gardner, da Universidade de Kentucky, e Joana Colussi, da Universidade Purdue.

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