Mercado Agrícola - 29.mai.2026

Soja, milho e trigo mantêm suporte no mercado externo

29.05.2026 | 10:37 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A soja manteve suporte em Chicago, apesar da instabilidade provocada pela crise no Irã e pela oscilação do petróleo. O mercado ainda trabalha com resistência leve em 12 dólares por bushel e suporte forte em 11,50 dólares por bushel. A falta de confirmação sobre grandes compras chinesas limitou movimentos mais firmes.

No Brasil, os prêmios seguiram positivos. Houve melhora frente às semanas anteriores. O mercado de porto tentou sustentação, com indicações entre 133 reais e 141 reais por saca para posições entre julho e outubro. O dólar também influenciou as negociações.

Nos Estados Unidos, o plantio da soja alcançou cerca de 85 por cento da área prevista. A média para o período alcança 75 por cento. Illinois chegou perto de 90 por cento, ante média de 82 por cento. Iowa registrou 93 por cento de plantio. O avanço reduziu a pressão sobre Chicago, pois o mercado já esperava ritmo rápido.

A atenção dos produtores norte-americanos segue no clima. Há temor com a possível influência do El Niño no fim de junho e em julho. O fenômeno poderia causar problemas na safra dos Estados Unidos.

No Brasil, a comercialização da safra atual de soja chegou a 64,5 por cento. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 67,5 por cento. A média histórica fica em 68,5 por cento. Em volume, a comercialização supera a média histórica para o período.

A safra nova alcançou 16 por cento de vendas. No ano passado, o índice chegava a 22 por cento. A média histórica marca 25 por cento. O atraso exige atenção dos produtores.

Situação do milho

No milho, Chicago manteve suporte em 4,50 dólares por bushel no contrato julho. As posições mais longas, como julho de 2027, encontraram suporte perto de 5 dólares por bushel e tentaram sustentar patamar próximo de 5,10 dólares por bushel.

O plantio norte-americano de milho atingiu 90 por cento da área. A média histórica marca 85 por cento. Iowa registrou 97 por cento, ante média de 95 por cento. O avanço indica normalidade nos campos. O clima em julho ainda concentra preocupação, pela possibilidade de efeitos do El Niño sobre as lavouras.

No Brasil, o mercado de milho seguiu de lado. A colheita da safrinha começou em áreas isoladas de Mato Grosso. Compradores dos setores de ração e etanol aguardam a entrada do produto. O mercado de porto oscilou entre 64 reais e 66 reais por saca.

Na B3, o julho de 2026 operou pouco acima de 65 reais por saca. O março de 2027 ficou acima de 75 reais por saca. A diferença mostra prêmio de cerca de 10 reais por saca entre curto e longo prazo. A leitura indica fundamentos mais positivos para posições futuras.

Situação do trigo

No trigo, o plantio começou no Paraná e em algumas áreas do Rio Grande do Sul. Em Chicago, o contrato julho manteve suporte perto de 6,20 dólares por bushel. Posições longas de 2027 operaram acima de 6,70 dólares por bushel.

A condição do trigo norte-americano preocupa o mercado. Apenas 26 por cento das lavouras receberam classificação boa ou excelente pelo USDA, segundo o comentário. Na semana anterior, eram 27 por cento. No ano passado, o índice alcançava 50 por cento.

A Rússia também traz incertezas. A safra germinou tarde e apresenta evolução irregular. Esse quadro reforça expectativa de menor oferta mundial. O mercado passa a trabalhar com cotações mais valorizadas para trigo no médio e longo prazo.

No mercado interno, o trigo gaúcho variou entre 1.320 reais e 1.330 reais por tonelada. No Paraná, as indicações ficaram entre 1.350 reais e 1.370 reais por tonelada. No balcão, o produtor gaúcho recebeu entre 65 reais e 67 reais por saca. No Paraná, as indicações variaram de 70 reais a 78 reais por saca, com algumas referências próximas de 80 reais na região de Ponta Grossa.

A área brasileira de trigo deve cair. A Conab estima de 2,2 milhões a 2,3 milhões de hectares, ante 2,5 milhões de hectares no ano passado.

Situação do arroz

No arroz, o mercado seguiu lento. Leilões de Pepro movimentaram cerca de 130 mil toneladas, mas não alteraram o comportamento das cotações. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, o arroz comercial com 58 por cento de inteiros ficou perto de 54 reais por saca. O parboilizado recuou para 51 reais por saca.

Situação do feijão

No feijão, o carioca nobre perdeu força após alcançar patamares próximos de 500 reais por saca. As indicações ficaram entre 470 reais e 490 reais por saca. O carioca comercial manteve melhor demanda, com valores entre 410 reais e 440 reais por saca. O feijão preto ficou entre 260 reais e 290 reais por saca, mas compradores tentaram pagar menos.

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