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Cinco cooperados da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), no sul de Minas Gerais, receberam a certificação Carbono Neutro para propriedades produtoras de café. O reconhecimento ocorreu durante a vigésima nona edição da Expocafé, em Três Pontas, Minas Gerais. A certificação atesta remoção de carbono superior às emissões no processo produtivo das áreas avaliadas.
A ação integra o programa Café Carbono Neutro, da Sumitomo Chemical. A empresa desenvolveu o projeto com apoio da consultoria E2Carbon. A iniciativa busca medir emissões e remoções de carbono nas lavouras de café e fortalecer práticas agrícolas ligadas à redução de gases de efeito estufa.
As fazendas certificadas pertencem a cinco cooperados da Cocatrel. A lista inclui Jaraguaia, Mina D’água, Faxina e Pinhal, em Três Pontas; Santa Edwirges, em Boa Esperança; e Terras Altas, em Luminárias.
Segundo Renata Bergamo, gerente sênior de Stewardship, Sustentabilidade e Propriedade Intelectual Latam da Sumitomo Chemical, o trabalho com cooperativas permite a obtenção de certificação de carbono neutro para café. Ela afirma que o projeto reflete o compromisso da empresa com o incentivo à sustentabilidade no agronegócio.
O presidente do Conselho de Administração da Cocatrel, Jacques Fagundes Miari, afirma que o inventário de carbono permite aos produtores conhecer impactos e oportunidades dentro das propriedades. Para ele, a gestão ambiental passa a agregar valor ao negócio. Miari também destaca que certificações ambientais reforçam a credibilidade do café nos mercados nacional e internacional, com ganhos em competitividade, transparência e reconhecimento ao trabalho no campo.
O cooperado Antônio Machado Neto, da Fazenda Jaraguaia, afirmou que a certificação valida um compromisso com a terra e com as próximas gerações. Ele citou o apoio da Cocatrel e a parceria técnica da Sumitomo Chemical como fatores para os resultados obtidos.
Aurélio Felizali, da Fazenda Terras Altas, afirmou que a certificação traz relevância ao setor em um ambiente de críticas ao agronegócio. Sylvia Meinberg Felizali, também da Fazenda Terras Altas, disse que o resultado comprova com números outra realidade sobre o agro brasileiro.
A E2Carbon conduziu a certificação. O CEO da empresa, Rafael Melo, informou que o Selo Carbono Neutro já se encontra disponível para os produtores. Segundo ele, os cafeicultores poderão usar o selo na comercialização do café, em redes sociais, em materiais de marketing e em negociações com compradores. O selo também poderá apoiar busca por valorização comercial e descontos em linhas de financiamento e investimento.
O escopo de análise abrangeu o período de janeiro a dezembro de 2025. O uso do selo ocorrerá ao longo de 2026, até o fim da validade da certificação.
A análise começou pelo levantamento das emissões nas propriedades. A avaliação considerou a presença de nitrogenados, a aplicação de calcário e ureia, as emissões dos processos de secagem e a combustão móvel. Este último item envolve o uso de equipamentos, máquinas e veículos. A partir desses dados, a consultoria quantificou as emissões e traçou o perfil de manejo dos produtores da região.
Depois, a E2Carbon avaliou os sumidouros e as fontes de remoção de carbono. O estudo mapeou duas frentes principais. A primeira envolveu mudança de uso do solo, com conversão de pastagens e áreas degradadas em lavouras de café. A segunda abordou a biomassa das plantas, com base no incremento médio anual de cada planta.
O mapeamento também considerou remoções biogênicas, adubação verde e uso de plantas de cobertura. Com esses dados, a consultoria calculou o balanço entre emissões e remoções. O resultado indicou o comportamento das lavouras em relação ao carbono.
Renata Bergamo explica que a metodologia envolve a mensuração das emissões de gases de efeito estufa e a quantificação da captura de carbono. Segundo ela, o manejo adequado do solo e o uso de plantas de cobertura contribuem para a captura. Esse balanço permite a neutralização da pegada de carbono e a concessão do selo.
Além das certificações individuais, a Sumitomo Chemical contribuiu para o inventário de carbono da Cocatrel. O levantamento mapeou emissões em quarenta e cinco unidades da cooperativa. O inventário focou nos escopos um e dois, com gastos de energia elétrica, água, combustível e outros insumos operacionais.
A gerente do Departamento de Sustentabilidade da Cocatrel, Thamiris Bandoni, afirma que o inventário mede os impactos das atividades e orienta estratégias para reduzir emissões. Segundo ela, a ferramenta também ajuda a atender exigências de mercado e demonstrar responsabilidade ambiental.
A parceria ocorreu por meio do Matsu, programa de relacionamento com parceiros comerciais da Sumitomo Chemical voltado a cooperativas. O nome significa “pinheiro” em japonês e remete a longevidade e força, valores associados pela empresa ao relacionamento com cooperativas e ao desenvolvimento de um agronegócio mais resiliente e sustentável.
Renata Bergamo afirma que a certificação valoriza o esforço dos cafeicultores na adoção de práticas sustentáveis e abre oportunidades em mercados internacionais, com destaque para a Europa. Segundo ela, a demanda por produtos com menor impacto ambiental cresce nesses mercados.
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