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A iluminação artificial azul durante o período noturno reduziu em 39% a probabilidade de acasalamento de Spodoptera frugiperda em condições semicampo. O comprimento de onda também atrasou o comportamento de chamamento das fêmeas e modificou a composição do feromônio sexual. Os resultados indicam potencial para uso da luz azul como componente não químico do manejo integrado da lagarta-do-cartucho.
Pesquisadores avaliaram LEDs azul, verde e vermelho, além de um tratamento sem iluminação (doi 10.3390/insects17080809). A luz azul apresentou pico de 460 nanômetros. A verde operou em 520 nanômetros. A vermelha apresentou 620 nanômetros.
Nos ensaios de laboratório, fêmeas virgens com dois a três dias de idade permaneceram expostas aos tratamentos durante toda a escotofase. A atividade de chamamento começou nas primeiras horas sob ausência de luz e sob luz vermelha. O pico ocorreu na sexta hora. A luz azul deslocou o pico para a sétima hora. A luz verde adiou o pico para a oitava hora e manteve baixa atividade durante as cinco primeiras horas.
O tratamento luminoso, o tempo e a interação entre ambos influenciaram a frequência de chamamento. As luzes azul e verde atrasaram e reduziram o comportamento em comparação ao escuro e à luz vermelha.
A análise dos extratos das glândulas de feromônio identificou três compostos: acetato de (Z)-7-dodecenila, acetato de (Z)-9-tetradecenila e acetato de (Z)-11-hexadecenila. O acetato de (Z)-9-tetradecenila permaneceu como componente predominante em todos os tratamentos.
A luz azul reduziu a produção do acetato de (Z)-9-tetradecenila em relação ao escuro e à luz vermelha. Também elevou a produção do acetato de (Z)-11-hexadecenila. A alteração mudou a proporção específica dos compostos do feromônio sexual.
A produção do acetato de (Z)-7-dodecenila apresentou tendência de queda sob luz azul. A diferença, porém, não alcançou significância estatística na avaliação feita no pico de chamamento.
A dinâmica temporal mostrou outro efeito. Sob escuro e luz vermelha, as fêmeas produziram quantidades detectáveis do acetato de (Z)-7-dodecenila desde a segunda hora. O pico ocorreu na sexta hora. Sob luz azul e verde, o composto apareceu apenas a partir da sexta hora.
O acetato de (Z)-9-tetradecenila acumulou-se desde a segunda hora nos tratamentos escuro e vermelho. A concentração chegou a cerca de 38 nanogramas por fêmea na oitava hora. Sob luz azul, não houve produção detectável antes da sexta hora.
O sucesso de acasalamento também variou entre os tratamentos de laboratório. O escuro apresentou a maior taxa, seguido por luz vermelha, luz verde e luz azul. Nenhum casal acasalou nas primeiras horas sob iluminação azul. Os primeiros registros ocorreram na quarta hora.
O ensaio semicampo ocorreu em uma lavoura de milho na província de Henan, na China. Os pesquisadores instalaram gaiolas de tecido com 130 centímetros de comprimento, 130 centímetros de largura e 130 centímetros de altura. Cada tratamento recebeu dez fêmeas virgens e dez machos virgens por repetição. O estudo teve cinco repetições em noites independentes.
A proporção média de fêmeas acasaladas alcançou 0,82 no escuro, 0,76 sob luz vermelha, 0,68 sob luz verde e 0,50 sob luz azul. Apenas a luz azul reduziu o acasalamento de forma significativa em comparação ao escuro. A diferença correspondeu a uma redução de 39% na probabilidade de cópula.
A luz verde afetou o acasalamento em laboratório, mas não apresentou diferença significativa no ensaio semicampo. A luz vermelha produziu respostas próximas às observadas no escuro nos parâmetros avaliados.
Os pesquisadores ressaltam uma limitação. As intensidades luminosas usadas nos ensaios semicampo variaram de 1.005 a 1.440 lux. Esses valores superam os níveis comuns de poluição luminosa ambiente, geralmente inferiores a poucos lux no nível do solo. Os resultados representam exposições próximas a armadilhas luminosas e instalações com LEDs, e não uma simulação da iluminação noturna difusa.
O estudo também não separou os efeitos da luz sobre machos e fêmeas. A queda no acasalamento pode resultar da alteração no sinal emitido pelas fêmeas, de mudanças na resposta dos machos ou da combinação dos dois mecanismos.
Os dados sustentam novas avaliações com diferentes intensidades, períodos de exposição e condições de campo aberto. Os pesquisadores também recomendam testes das respostas antenais dos machos aos extratos de fêmeas expostas à luz.
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