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Pesquisadores identificaram variação na suscetibilidade de quatro populações de Frankliniella intonsa a inseticidas espinosoides na Mongólia Interior, na China. Seu trabalho avaliou espinosade e espinetoram por bioensaios de toxicidade estomacal e de contato. Os resultados indicaram diferenças entre populações coletadas em campo e apontaram a ativação de enzimas CYP450 como possível fator associado à variação observada. A análise do gene nAChRα6 não encontrou mutações pontuais nas populações avaliadas.
O trabalho analisou populações chamadas DLT, HHG, QBM e HLG. Os insetos foram coletados em alfafa (Medicago sativa) em Dalad Banner, Chahar Right Wing Banner, Hohhot e Horinger Banner, durante o verão de 2020. As populações chegaram ao laboratório da Inner Mongolia Agriculture University e foram mantidas em fava (Vicia faba). Os bioensaios usaram fêmeas adultas de uma a duas semanas das gerações F30 a F35, em 2022.
Frankliniella intonsa ocorre como praga relevante de culturas, forragens e plantas ornamentais na China. Morango (Fragaria ananassa) e alfafa (Medicago sativa), figuram entre os principais hospedeiros citados pelos autores. Na Mongólia Interior, o aumento da área com alfafa elevou a importância econômica do inseto. O controle químico permanece como principal ferramenta de manejo na região. Segundo os cientistas, produtores locais relataram menor suscetibilidade em populações de campo após uso frequente de inseticidas.
No ensaio de toxicidade estomacal com espinosade, a população DLT de Frankliniella intonsa apresentou LC50 de 0,099 µL/L. O valor superou em 1,22 a 2,25 vezes os valores das demais populações. Na LC99, a população QBM apresentou 952,765 µL/L. Esse resultado superou em 9,22 a 161,57 vezes os valores registrados nas outras três populações.
Com espinetoram por toxicidade estomacal, a população DLT de Frankliniella intonsa também registrou maior LC50, com 0,019 µL/L. O valor ficou 1,19 a 1,90 vez acima dos demais. Na LC99, a população HHG atingiu 0,528 µL/L. O índice superou em 3,28 a 6,77 vezes os valores das outras populações avaliadas.
Os ensaios de contato também indicaram diferenças regionais em Frankliniella intonsa. Para espinosade, os valores de LC50 variaram de 0,182 a 0,347 µL/L. Os valores de LC99 variaram de 2,642 a 29,233 µL/L. Para espinetoram, os valores de LC50 variaram de 0,104 a 0,478 µL/L. Os valores de LC99 variaram de 5,053 a 306,094 µL/L. A população QBM apresentou a maior LC50 para espinetoram por contato. A população HLG apresentou a maior LC99 para o mesmo inseticida por contato.
Os autores compararam os modos de exposição. Para espinosade, as LC99 por toxicidade estomacal superaram as LC99 por contato nas quatro populações de Frankliniella intonsa. Para espinetoram, ocorreu o oposto. As LC99 por toxicidade estomacal ficaram abaixo das LC99 por contato em todas as populações. Os autores interpretaram os resultados como evidência de respostas distintas aos espinosoides entre populações de Frankliniella intonsa coletadas em campo.
O estudo também avaliou uma possível associação entre a variação de suscetibilidade e alterações no alvo de ação dos espinosoides. Esses inseticidas atuam em receptores nicotínicos de acetilcolina no sistema nervoso dos insetos. A literatura citada no artigo associa resistência a espinosoides a mutações na subunidade α6 desses receptores em algumas espécies, como Drosophila melanogaster, Bactrocera dorsalis, Plutella xylostella, Frankliniella occidentalis e Thrips palmi. No caso de Frankliniella intonsa, os pesquisadores sequenciaram a subunidade FIα6 do gene nAChRα6 nas quatro populações. A sequência completa apresentou 1.416 pares de bases e codificou uma proteína prevista com 472 aminoácidos.
A análise não detectou mutação pontual semelhante à mutação na posição 275 já associada à resistência em outros tripes. Os autores concluíram que a variação observada não se relacionou a mutação na subunidade α6 do receptor nicotínico nas populações avaliadas de Frankliniella intonsa.
Após essa etapa, o grupo investigou a possível participação de enzimas de detoxificação. Para isso, usou butóxido de piperonila, ou PBO, inibidor de CYP450, em bioensaios com espinosade. Na população DLT de Frankliniella intonsa, o tratamento com PBO reduziu a LC50 de 0,099 para 0,073 µL/L. A LC99 caiu de 24,454 para 0,410 µL/L. A redução na LC99 chegou a 59,64 vezes em relação ao tratamento sem PBO.
Na população HLG de Frankliniella intonsa, o comportamento diferiu. A LC50 aumentou de 0,044 para 0,229 µL/L após adição de PBO. Já a LC99 caiu de 5,897 para 2,338 µL/L. Os cientistas trataram esse resultado como inesperado para LC50 e apontaram a necessidade de medir a atividade de CYP450 de forma direta em novas populações e com os dois inseticidas avaliados.
Os pesquisadores afirmam que os dados indicam variação de campo na resposta de Frankliniella intonsa a espinosade e espinetoram na Mongólia Interior. Eles também destacam uma limitação: o estudo não incluiu uma população suscetível de referência. Por isso, os cientistas tratam os resultados como comparação de suscetibilidade entre populações.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17050511
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