Oferta restrita de café na Ásia limita novos negócios

Estoques baixos no Vietnã e atraso na colheita da Indonésia travam o mercado no Sudeste Asiático, diz Hedgepoint

15.05.2026 | 16:50 (UTC -3)
Milena Feitosa Camargo

O mercado de café no Sudeste Asiático segue operando em ritmo moderado nas últimas semanas, refletindo a menor disponibilidade de oferta no Vietnã e na Indonésia, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. O cenário ocorre em meio à retenção de vendas por produtores vietnamitas, atraso na colheita indonésia provocado por chuvas intensas e aumento das atenções sobre os impactos climáticos relacionados ao possível desenvolvimento do fenômeno El Niño.

Até abril, as exportações de café do Vietnã permaneceram fortes e atingiram 18,6 milhões de sacas na safra 25/26, volume 23,9% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os produtores vietnamitas aproveitaram os preços favoráveis, a maior produção da temporada e a ausência de vendedores brasileiros nos últimos meses para acelerar as vendas no início da safra, movimento que manteve os embarques acima das médias históricas.

Agora, com grande parte da produção já comercializada e o país entrando em entressafra, os produtores passaram a segurar novas vendas, reduzindo a disponibilidade de café no mercado internacional e direcionando os compradores para a Indonésia. No entanto, o país também enfrenta restrições de oferta. As chuvas intensas registradas nas últimas semanas atrasaram o início da colheita da safra 26/27, limitando a disponibilidade do produto e impactando os volumes exportados em março.

“A safra 26/27 da Indonésia tinha previsão de começar em abril, com volumes maiores chegando ao mercado a partir de maio. No entanto, chuvas intensas ao longo do mês passado atrasaram o início da colheita, limitando a disponibilidade de café”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Esse cenário também deu suporte aos preços do Robusta, especialmente porque a safra brasileira 26/27 — que deve bater recorde — ainda não ganhou ritmo. O real mais forte também contribuiu para o suporte de curto prazo, ao desincentivar as vendas por parte dos produtores brasileiros.

As condições climáticas também seguem no radar no Vietnã, enquanto a safra 26/27 se desenvolve. Após um março mais chuvoso, abril registrou precipitações abaixo da média, aumentando as preocupações sobre as condições das árvores e a floração, especialmente diante das expectativas de um possível El Niño ativo no segundo trimestre.

“Até o momento, nenhum impacto negativo foi relatado, e chuvas adicionais são esperadas nos próximos dias, o que deve proporcionar algum alívio aos agricultores”, destaca Laleska Moda.

Segundo a analista, embora os impactos de curto prazo ainda pareçam limitados, a depender da intensidade do fenômeno, os riscos climáticos de longo prazo permanecem relevantes para as próximas temporadas. “Os principais riscos são vistos atualmente para a safra 27/28, já que o El Niño poderia restringir a disponibilidade de água para irrigação e atrasar a floração do café”, afirma a analista.

As vendas de café no Sudeste Asiático perderam força recentemente devido à redução dos estoques e às vendas intensas realizadas no início da safra, principalmente no Vietnã. Ao mesmo tempo, atrasos na colheita da Indonésia provocados por chuvas intensas restringiram ainda mais a oferta disponível, enquanto as condições climáticas seguem como variável-chave para o desenvolvimento das próximas safras.

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