Algodão perde força em fevereiro com estoques elevados

Após alta em janeiro, pluma recua 3,7% em NY; no Brasil, ampla oferta e safra chinesa recorde pressionam as cotações

13.02.2026 | 16:42 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Itaú BBA

O mercado de algodão iniciou fevereiro sob pressão, revertendo a leve trajetória de recuperação observada em janeiro. Segundo o relatório Agro Mensal do Itaú BBA, a pluma acumulou alta de 1,1% no primeiro mês do ano em Nova York (USDc 64,2/lb), impulsionada pela valorização do petróleo. Entretanto, nas primeiras semanas de fevereiro, o cenário mudou: os preços recuaram 3,7%, caindo para USDc 61,8/lb.

No Brasil, a estabilidade de janeiro deu lugar a recuos pontuais. Em Barreiras (BA), a cotação registrou queda de 1,5%, chegando a R$ 3,29/lb. O mercado doméstico enfrenta o desafio de uma oferta ampla associada a uma demanda internacional mais lenta. O caroço de algodão também segue em desvalorização, pressionado pelo grande volume da safra 2025 e pela concorrência direta com a soja.

Em Mato Grosso, principal produtor nacional, o cenário é de retração estratégica. O Imea revisou a área plantada para 1,4 milhão de hectares (queda de 8%). A produção de pluma deve atingir 2,6 milhões de toneladas, um recuo de 15% frente ao ciclo anterior.

O ajuste reflete a decisão do produtor de reduzir o plantio diante da compressão das margens de lucro.

Perspectiva Global 

O USDA elevou a estimativa da safra chinesa para 7,6 milhões de toneladas, elevando o estoque final mundial para 16,4 milhões de toneladas — patamar acima da média dos últimos cinco anos. Apesar do viés baixista no curto prazo, o Itaú BBA sinaliza uma possível recuperação gradual dos preços no segundo semestre de 2026, motivada pela expectativa de cortes na produção mundial para a temporada 2026/27.

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