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Tempestades retornam ao Rio Grande do Sul; frente fria mantém chuvas no leste do Nordeste
As exportações brasileiras de frutas frescas alcançaram recorde em valor e volume no primeiro semestre de 2026. Os embarques somaram US$ 709 milhões, alta de 21% ante igual período de 2025. O país enviou 619 mil toneladas ao mercado externo entre janeiro e junho. O desempenho levou o superávit da balança comercial do segmento a US$ 232 milhões, maior resultado para o período desde 2021.
As importações totalizaram US$ 476 milhões no semestre. O valor representa crescimento próximo de 4% na comparação anual. A maior disponibilidade de frutas no mercado nacional, a demanda internacional e as janelas comerciais favoreceram o avanço das vendas externas, segundo análise da Consultoria Agro Itaú BBA, elaborada com dados do Comex Stat.
A manga manteve a liderança da pauta exportadora. A receita atingiu US$ 143 milhões, com avanço de 42%. O volume cresceu 38%. O resultado reforçou a participação do Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco, no comércio internacional de frutas.
Limões e limas ocuparam a segunda posição, com US$ 105 milhões em receita. O valor cresceu 9% no período. Os melões vieram na sequência, com US$ 98 milhões. Outras frutas preparadas ou conservadas renderam US$ 82 milhões.
Os abacates registraram um dos maiores crescimentos do semestre. As vendas externas alcançaram US$ 67 milhões. A receita avançou 73%, enquanto o volume subiu 93%. A expansão da produção nacional, a entrada de novos pomares e o direcionamento da cadeia ao exterior sustentaram o resultado. A variedade Hass ganhou espaço por apresentar características adequadas ao transporte de longa distância.
A maçã também apresentou recuperação. As exportações somaram US$ 44 milhões, com aumento de 223% em receita e 225% em volume. O movimento acompanhou a retomada da oferta após problemas produtivos em safras anteriores.
As vendas de melancia chegaram a US$ 58 milhões, alta de 31% em receita. Os mamões renderam US$ 41 milhões, crescimento de 12%. As uvas somaram US$ 20 milhões. Bananas responderam por US$ 13 milhões.
A Europa concentrou a maior parte dos embarques. A Holanda recebeu 41% das exportações brasileiras de frutas. Reino Unido respondeu por 14% e Espanha, por 12%. Estados Unidos participaram com 6%, enquanto Portugal concentrou 5%.
As compras externas permaneceram concentradas em frutas de clima temperado e produtos com menor oferta doméstica. As peras lideraram as importações, com US$ 101 milhões. Maçãs somaram US$ 72 milhões e kiwis, US$ 44 milhões. Outras frutas secas ou frescas alcançaram US$ 35 milhões. Morangos congelados totalizaram US$ 23 milhões.
A recuperação da produção brasileira reduziu a necessidade de algumas importações. As compras externas de maçãs recuaram 18% em receita e 28% em volume. As importações de abacates caíram 86%. Argentina e Chile mantiveram a liderança entre os fornecedores, com participações de 29% e 23%, respectivamente.
A Consultoria Agro Itaú BBA avalia cenário favorável para o segundo semestre. O período concentra as principais janelas de exportação de manga, uva, melão e melancia. Com mais da metade da receita anual já obtida, o setor pode superar novamente US$ 1 bilhão em 2026. Em 2025, os embarques ultrapassaram US$ 1,4 bilhão.
O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar a competitividade das frutas brasileiras. A proposta prevê eliminação imediata das tarifas para uvas e redução gradual para outros produtos. O acordo também tende a elevar a concorrência de frutas europeias no mercado nacional, sobretudo nas categorias de clima temperado.
A abertura de mercados na Ásia e no Oriente Médio oferece outra frente de expansão. A diversificação reduz a dependência dos destinos tradicionais e acompanha o crescimento do consumo nessas regiões.
O clima concentra o principal risco para a temporada 2026/27. O avanço do El Niño pode reduzir a disponibilidade hídrica e elevar custos de irrigação no Rio Grande do Norte e no Ceará. No Vale do São Francisco, o abastecimento pelo Rio São Francisco amplia a resiliência, mas períodos prolongados de estiagem exigem atenção à gestão da água.
No Sudeste, temperaturas elevadas e chuvas irregulares podem afetar florada, pegamento e produtividade dos citros. No Sul, o excesso de chuva pode favorecer doenças e comprometer a qualidade das maçãs. Nos bananais, maior umidade amplia o risco de sigatoka. Chuvas intensas acompanhadas por ventos também podem provocar tombamento de plantas e reduzir os envios ao Mercosul.
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